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Brasília - A desigualdade de renda entre os trabalhadores
brasileiros caiu quase 7% entre o quarto trimestre de 2002 e o
primeiro trimestre de 2008, segundo estudo divulgado hoje (23) pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O levantamento foi realizado nas regiões
metropolitanas de Salvador, Recife, Belo Horizonte, São Paulo
e Porto Alegre. O índice de Gini, que representa o intervalo
entre a média salarial dos 10% mais pobres da população
e a média salarial dos 10% mais ricos, caiu de 0,543 para
0,505.
O estudo apontou uma inversão na tendência
histonicamente registrada no país de concentração.
No entanto, de acordo com o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, o
Brasil ainda se encontra entre os dez países que apresentam os
piores níveis de distribuição de renda. O Gini
varia de zero a um. Quanto mais perto de um, maior a desigualdade.
"Para um país não ser
primitivo, esse índice precisa estar abaixo de 0,45”,
explicou Pochmann. Segundo ele, por muito tempo, o Brasil figurou
entre os países de maior desigualdade de renda. “Estávamos acostumados a perceber que a desigualdade vinha
aumentando.”
Os números indicam que, no período
analisado, a renda dos mais pobres foi quase cinco vezes maior que a
recuperação da renda dos mais ricos. Para calcular o
Gini, o Ipea subdivide a população ocupada no país
em dez grupos, de acordo com a renda média. No acumulado do
período, os três grupos com médias salariais de
R$ 206, R$ 378 e R$ 422 tiveram aumentos de 21,96%, 29,91% e 15,79%.
Já os três grupos com renda maior, com médias de
R$ 1.159, R$ 1.797 e R$ 4.853 acumularam ganhos de 2,3%, 2,1% e 2,6%.
Para Pochmann, a redução da
desigualdade entre os ocupados nas regiões metropolitanas
brasileiras se deve fundamentalmente à elevação
do salário mínimo, que contribuiu para que os
trabalhadores de menor rendimento pudessem manter o poder aquisitivo
e, segundo os dados apresentados, até aumentar o seu poder de
compra em relação aos demais ocupados.
Pochmann destacou como outro dado positivo a queda
da desigualdade ter ocorrido em um ambiente de expansão da
economia, pois tal cenário poderia ser um fator para aumento da
desigualdade. "Estamos observando uma recuperação média dos salários entre 2003 e 2007. Nesse período, a média dos salários cresceu em 8% de forma acumulada – justamente os 40% mais pobres tiveram uma recuperação muito maior do que a média nacional. Estamos em um sinal positivo porque todos os trabalhadores ricos ou pobres tiveram aumento em sua renda, principalmente os mais pobres.".
Ele destacou ainda o fato de o país estar atualmente diante de um cenário
nuito diferente do que se observou nos últimos 30 a 40 anos e que vem
permitindo, justamente agora, a redução da
desigualdade. "Neste momento em que no Brasil cresce a atividade
econômica, aumenta a ocupação e a desigualdade
não está ocorrendo. É um bom sinal e nos aponta
para a perspectiva de estarmos no rumo de país menos injusto."
Na opinião de Pochmann, as políticas
de transferência de renda são outro fator que pode
justificar redistribuição. “Elas protegem os mais
pobres entre os pobres, especialmente quando não têm
acesso ao mercado de trabalho e se encontram fragilizados, muitas
vezes em situações que os distanciam.”
Nesse caso, benefícios como o Bolsa Família
podem ter influenciado: “Os que estão ocupados, mas recebem
o Bolsa Família também o declaram como renda, por isso
sua incidência nos números”, afirmou Pochmann.
Para ele, é necessário ainda um
conjunto de outras políticas para fazer com que os salários
aumentem sua participação na renda nacional. Isso pode
ser realizado seguindo exemplos internacionais, por intermédio
de políticas tributárias que determinem que os impostos
sejam mais progressivos. Que os pobres paguem menos impostos em
relação aos que detêm maior renda no país,
concluiu o presidente do Ipea..
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