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Rio de Janeiro - A participação
das grandes indústrias com mil pessoas ocupadas ou mais na
produção do setor passou de 48,7% em 1996 para 60% em
2006. O maior salto ocorreu no período de 2000 a 2006, como
mostra a Pesquisa Industrial Mensal – Empresa (PIA-Empresa),
divulgada hoje (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Em 2000, o valor da transformação
industrial para essa parcela das empresas aumentou 53,8%.
Falando à Agência Brasil, a
economista Isabela Nunes, gerente do Grupo de Análises do
IBGE, ressaltou que o “período virtuoso” foi de 2000 até
2006. “Foi a partir desse período que as empresas grandes
conseguiram dar esse salto”.
Ela esclareceu que de 1996 a 2000, todas as
empresas industriais, inclusive as maiores dentre as maiores, se
reestruturavam, fazendo ajustes mais finos. “A partir de 2000,
quando o cenário macroeconômico melhorou, foram elas que
tiveram mais condições de crescer”.
Entre os fatores que propiciaram o crescimento
dessas indústrias, Isabela Nunes destacou a maior inserção
no mercado internacional e a valorização das
commodities, que são produtos básicos agrícolas
e industriais comercializados no mercado exterior. “Porque as
grandes empresas todas têm uma perna de exportação
de commodities, seja siderúrgica, seja petróleo,
minério de ferro, celulose”.
Para Isabela Nunes, o que está por trás
desse movimento “é um desempenho exportador muito favorável
e uma situação de acumulação interna
maior do que das outras empresas”, o que significa que elas tinham
mais condições e souberam aproveitar melhor o momento.
“É uma conjugação de fatores”.
Nos dez anos analisados pela pesquisa, as grandes
indústrias não só aumentaram de tamanho, mas
ampliaram o número de empregos, assim como aumentaram a
produtividade. Nesse período, a velocidade de crescimento do
emprego das grandes empresas foi de 42,7% e a velocidade de
crescimento do número de empresas foi de 29,9%. O saldo entre
essas duas relações deu um crescimento de tamanho médio
de 9,8% nesses dez anos, só para as indústrias com mil
empregados ou mais.
Os outros dois segmentos das grandes
empresas industriais – as que empregam de 250 a 499 pessoas e as
que mantêm de 500 a 999 trabalhadores - permaneceram com o
mesmo porte entre 1996 e 2006 e não apresentaram dinamismo. O
diferencial competitivo das grandes empresas com mil empregados ou
mais em relação a essas duas fatias de indústrias
é o ganho de escala, segundo Isabela Nunes.
“São empresas que trabalham
em grande escala. Elas conseguem ter um custo menor e uma margem de
lucro maior e, portanto, investem mais”. A taxa de inovação
nas maiores empresas industriais atinge 86%, contra uma média
de 33% na indústria em geral.
“Elas trazem modernidade para o
setor à medida que, com a inovação, estão
trazendo nova tecnologia. Isso acaba por tornar essas empresas
catalizadoras do crescimento”. Com isso, elas impactam de forma
positiva as pequenas e médias empresas, que formam a cadeia
fornecedora das indústrias de grande porte. “Se esse setor
se moderniza, automaticamente tem impacto na cadeia de pequenas e
médias”.
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