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Rio de Janeiro - A Associação
de Moradores do Morro da Providência pretende recorrer da
decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que embargou hoje (24)
o Projeto Cimento Social na comunidade. A
informação foi dada pela presidente da entidade, Vera
Melo, ao criticar a suspensão da reforma das casas beneficiadas pelo projeto.
“A comunidade não
pode pagar por um erro político”, disse Vera, ao informar sobre
uma reunião prevista para hoje com o juiz Fábio Uchoa,
do TRE, que determinou a suspensão da
obra por motivos eleitoreiros. “Vou fazer todo o possível
para reverter a decisão”.
Segundo Vera, o embargo
do TRE pode deixar 150 trabalhadores desempregados, a maioria
moradores da comunidade, o que vai afetar a vida de muitas famílias.
Ela conta que os operários recebem entre R$ 650 e R$ 1 mil
por mês e desde o início das obras, em dezembro de 2007,
reformaram 80 casas, de um total de 780.
A presidente da
associação explicou também que com a suspensão
imediata do projeto muitos moradores terão que conviver com
obras inacabadas dentro da própria da casa. “As pessoas não
podem ficar com a casa pela metade, algumas até sem cobertura
para chuva”, disse.
A aposentada Valmira
Guimarães Atala, 60 anos, é uma delas. A casa onde mora
começou a ser reformada ontem (23). Hoje, tem no centro da
sala um monte de cimento, utilizado na reforma nas paredes e no
telhado. Sem dinheiro para concluir a reforma, não sabe o que
fazer com o material espalhado pela casa.
“Falta muita coisa.
Estamos convivendo com cimento e pá. Eu e minhas netas [três]
dormimos agarradas no quarto, junto com as coisas”, reclamou
Atala. “Agora, sem data para acabar, nem sei o que vou fazer com
essas coisas, com a casa deste jeito.”
Durante esta manhã, quando ocorreu a intervenção do Tribunal Regional Eleitoral, os
trabalhadores protestaram contra o embargo. O encarregado da obra,
Alex Oliveira dos Santos, criticou a provável demissão
dos operários, em conseqüência da decisão do TRE.
“Um trabalhador
sustenta uma família com três ou quatro pessoas. Ao
total, cerca de 600 pessoas são beneficiadas por essa obra.
Sem trabalho, como essas famílias vão viver? Parece que
querem que o morador do morro vire mesmo marginal”, disse Santos.
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