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Brasília - O chefe do
Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes,
afirmou hoje (24) que o crescimento do crédito apresentou
volume recorde em maio, mas a tendência é de acomodação
dos financiamentos para pessoas físicas.
De acordo com o BC, o volume de crédito do
Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 1,044 trilhão em maio,
o que equivale a 36,5% da soma de bens e serviços produzidos
no país, o Produto Interno Bruto (PIB). Esse é o maior
percentual desde janeiro de 1995, quando chegou a 36,8%.
“Estamos observando, principalmente quando se
excluem as operações de leasing destinadas à
aquisição de veículos, que há uma certa
desaceleração nessa taxa [de crescimento do volume
de crédito]”, disse Lopes. Segundo ele, o crédito
para pessoa física, excluídas as operações
de leasing, cresceu 1,4%, “o que é uma taxa baixa”.
Lopes disse que essa tendência se manteve
neste mês, até o dia 12, quando o crescimento foi de
1,3%. “Tem uma clara acomodação no crédito à
pessoa física, principalmente o crédito pessoal, e, por
outro lado, uma elevação no crédito à
pessoa jurídica”, acrescentou. No caso das pessoas
jurídicas, disse Lopes, a característica é a
captação de grandes empresas, que estão deixando
as operações de mercado de capitais (ações)
para buscar crédito no sistema financeiro.
Ele acredita que pode haver mais algum aumento das
taxas por conta das elevações da Selic, atualmente em
12,25% ao ano, em 2008..
Mesmo com essas mudanças, Lopes mantém,
pelo menos por enquanto, a projeção de crescimento do
volume do crédito em relação ao PIB de 40% no
ano. “Até porque essa nova composição que
estamos observando garante essa relação crédito-PIB
de 40%. Evidentemente, isso é uma projeção que
pode ser revista mais à frente.”
O Banco Central também registrou elevação
de 7,1% para 7,3% na taxa de inadimplência para pessoas
físicas. Para as empresas, a taxa ficou estável em
1,8%, em maio. Na média, a inadimplência manteve-se em
4,2%. “Na média, a inadimplência tem-se mantido
estável, mas estamos observando pequena elevação
para pessoa física. Temos que observar um pouco mais para ver
se essa é uma tendência que se confirma.”
Segundo Lopes, também se nota redução
de prazos para o crédito pessoal, que passou de 495 dias, em
abril, para 489 dias corridos, em amio. “A pessoa física vem
apresentado prazos mais ou menos estáveis, mas a modalidade
crédito pessoal vem apresentando redução nesses
prazos”. Entretanto, para a compra de veículos, o prazo de
595 dias é o maior da série histórica do Banco
Central desde 1994.
No caso das taxas de juros, a média
(pessoas físicas e jurídicas) passou de 37,4% ao ano,
em abril, para 37,6 % ao ano em maio. Nos 12 meses fechados em maio,
a taxa média subiu 0,4%. No ano, a alta é de 3,8%. A
taxa média de juros anuais para empresas (pessoa jurídica)
foi de 26,9% em maio, maior do que os 26,3% de abril.
No caso das operações destinadas
apenas a pessoas físicas, a taxa média caiu de 47,7% em
abril para 47,4% ao ano no mês passado. Lopes explicou que o
motivo foi a eliminação da Taxa de Abertura de Crédito
(TAC) em 30 de abril.
No caso do cheque especial, a taxa chegou a chegou
a 157,1% ao ano. O aumento foi de 4,4 pontos percentuais de um mês
para o outro e no ano foi de 19 pontos percentuais. Essa é a
maior taxa desde agosto de 2003, quando ficou em 163,9% ao ano.
Dados preliminares de junho sobre os juros
mostram, até o dia 12, alta de 0,1 ponto percentual da taxa
geral, em relação a maio e de 0,9 ponto percentuais
para pessoas físicas. No caso das pessoas jurídicas,
houve redução de 0,3 ponto percentual.
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