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Brasília - O
vice-presidente José Alencar afirmou hoje
(24) que é contra a indexação do benefício do programa
Bolsa Família à inflação. "Acho
que tem que haver [reajuste do valor do benefício],
porém sou contra a indexação, porque ela acaba
admitindo a inflação. E muito mais importante que um
reajuste é evitar a inflação.”
No último dia 12, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o repasse do programa seja feito de acordo com o índice da inflação.
Alencar
também criticou o aumento da taxa básica de juros pelo
Banco Central. Segundo ele, o petróleo é o fator que
mais pressiona a inflação, e a medida não combate
isso. “Eu não apóio não. Porque você
pode adotar a taxa que quiser que não vai modificar a decisão
da Opep [Organização dos Países Exportadores de
Petróleo] em relação ao petróleo. E o
preço do petróleo está presente em tudo."
O
ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que haverá um
remanejamento geral para cumprir a nova meta de superávit
primário, ampliada de 3,8% para 4,3% do Produto Interno Bruto
(PIB). Para ele, no entanto, o aumento da despesa com o Bolsa Família
não representará grandes prejuízos. “Para
cumprir esse superávit que o presidente pediu,
vamos ter que fazer um remanejamento e redução de
despesas da ordem de R$ 14,2 bilhões. O Bolsa Família,
no meio disso, vamos ter que resolver, mas a despesa,
relativamente, é muito menor.”
Paulo Bernardo não quis anunciar o percentual de aumento dos valores do
programa, por entender que é preciso esperar para “bater o martelo com o
presidente”, mas explicou que, se o aumento fosse de 6%, as
despesas cresceriam cerca de R$ 300 milhões. De acordo com o ministro, o aumento de 0,5%
no superávit primário tem o
objetivo de formar uma reserva para a constituição do
Fundo Soberano e também reduzir os gastos, ajudando no combate
à inflação.
Para
alcançar a economia de mais R$ 14 bilhões, ele disse
que os cortes no orçamento podem chegar a R$ 10 bilhões. Os outros R$ 4 bilhões seriam conseguidos via recebimento de
dividendos. “Nos últimos anos, temos tido uma
política de não receber todos os dividendos, até
para permitir que as empresas façam investimentos.
Provavelmente, vamos diminuir essa flexibilidade, vamos
querer receber, o que aumenta a nossa receita”, disse.
José Alencar e
Paulo Bernardo participaram, hoje de manhã, da abertura do 3º
Seminário Internacional sobre Federalismo e Desenvolvimento -
Políticas Públicas e Responsabilidade Social. O encontro, que termina quinta-feira (26) em Brasília,
discute a proposta de reforma tributária, que tramita no
Congresso Nacional, o programa Territórios da Cidadania, a
Agenda 21 e a integração no Mercosul.
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