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Brasília - O ministro das
Cidades, Marcio Fortes, e a presidente da Caixa Econômica
Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, eximiram-se hoje (24) de
responsabilidade pelas irregularidades constatadas em obras do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
investigadas pela Polícia Federal na Operação
João de Barro.
Fortes disse
que somente a instituição financeira parceira é
que poderia responder sobre as causas de eventuais desvios de
recursos.
Sobre a necessidade
de mudança na forma de repasse de recursos do PAC para evitar
fraudes, ele explicou que atualmente o dinheiro é repassado
por intermédio da Caixa, que tem na ponta justamente a
capacidade de medição. ”Outros ministérios
trabalham com convênios em que se tem um gestor. São as
duas formas de atuar. Não existe outra. Temos acompanhamento
permanente do Tribunal de Contas e da CGU [Controladoria-Geral da
União] em todos esses casos.”
Fortes lembrou que a
Polícia Federal divulgou informações sobre obras
que estariam usando material de baixa qualidade e que havia dito que
quem atesta na ponta é que deve dar a justificativa sobre o
assunto. “Eu não tenho funcionários fora de Brasília.
Nós temos excelente relacionamento com a Caixa, e é
contratada nossa exatamente para, na ponta, verificar o andamento das
obras. Então, quem atestou na ponta que tem que dar a
satisfação a respeito do assunto.”
Já a presidente da Caixa Econômica, questionada sobre
possíveis falhas da instituição na fiscalização
das obras, afirmou que “o acompanhamento é
feito com diligência e rigor”. Maria Fernanda
destacou que o trabalho da Caixa é reconhecido inclusive pelo
Tribunal de Contas da União (TCU). “O mesmo relatório
do TCU que foi base para a Operação João de
Barro registra que as obras acompanhadas pela Caixa têm um
rigor bem melhor do que aquelas que não têm convênio
conosco.”
Segundo Maria
Fernanda, a CGU e a Caixa vão promover uma “operação
pente fino” para garantir maior transparência. “O PAC mal
começou, e os gestores têm que ter atenção
especial no acompanhamento das obras.”
A Operação
João de Barro, iniciada no dia 20 deste mês, encontrou
indícios de fraude na execução de obras do PAC
em vários municípios. A auditoria foi feita com base em
denúncias veiculadas na imprensa e, logo após, a
investigação policial desarticulou um esquema criminoso
de desvio de verbas destinadas à construção de
casas populares e estações de tratamento de esgoto.
De acordo com a Polícia Federal,
a quadrilha desviava recursos repassados aos estados, Distrito
Federal e municípios em convênios ou empréstimos
cedidos pela Caixa e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) nas chamadas transferências voluntárias
da União.
*Colaborou Danilo Macedo
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