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Rio de Janeiro - A
Associação Nacional das Instituições do
Mercado Financeiro (Andima) transfere no próximo dia 1º
de julho o Sistema Nacional de Debêntures (SND) para a Cetip
S/A Balcão Organizado de Ativos e Derivativos, empresa criada
a partir da abertura de capital da Câmara de Custódia e
Liquidação (Cetip), aprovada no final de maio. A
transferência ocorre após 20 anos de administração
do SND pela Andima.
Debêntures
são títulos de renda fixa, de longo prazo, de emissão
de empresas, como forma de um empréstimo feito a terceiros. “É
uma forma de as empresas captarem recursos junto ao mercado”,
informou o superintendente geral da Andima, Paulo Sampaio.
Ele
esclareceu que as debêntures ainda são pouco conhecidas
do pequeno investidor brasileiro, embora o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tenha feito uma
emissão no ano passado destinada a captar uma parcela de
investidores pessoas físicas. Também a Petrobras
utilizou esse instrumento recentemente, destacou o executivo.
A
medida vai concentrar na Cetip todos os sistemas e atividades
relacionados ao mercado de renda fixa, revelou à Agência
Brasil o superintendente geral da Andima, Paulo Sampaio. “A
diretoria da Andima decidiu que esse é o novo modelo que está
vigorando no mercado internacional e aqui no Brasil também.
Então, a Andima, que é uma associação sem
fins lucrativos, deixa de exercer a administração do
sistema e transfere essa atribuição para a Cetip”.
Sampaio
garantiu que não haverá nenhum impacto para os
usuários, emissores ou investidores. “É uma operação
meramente de transferência de atividades. O SND passou 20 anos
sendo administrado pela Andima e agora vai passar a ser administrado
pela Cetip, sem nenhum tipo de interrupção”.
A
Andima permanecerá desenvolvendo as mesmas atividades que já
vinha fazendo em relação ao mercado de debêntures,
voltadas para a auto-regulação, precificação
de debêntures, banco de dados. Do mesmo modo, o ‘site’
(endereço eletrônico) do SND (www.debentures.com.br)
continuará sendo alimentado pelos técnicos da Andima.
O
mercado de debêntures tem atualmente um total de R$ 212 bilhões
emitidos. “Não é um mercado pequeno”, disse
Sampaio. Ele observou, porém, que esse mercado é ainda
muito focado no investidor institucional de grande porte, como fundos
de pensão, seguradoras, fundos de investimento, grandes
empresas. “A pessoa física ainda não tem uma
participação significativa nesse mercado”.
O
ideal, segundo comentou, é que haja pulverização
do mercado, mas isso só será possível quando
mais empresas vierem a mercado captar recursos. “Com certeza, mais
investidores pessoa física estarão interessados”.
O
superintendente geral da Andima esclareceu que debênture é
um título semelhante ao título público, porém
de emissão privada. Do mesmo modo que ocorre com os títulos
públicos, as debêntures pagam juros sobre o capital
investido. E a maioria paga, inclusive, prêmios e amortizações
ao longo da vida do papel, salientou Paulo Sampaio. “Então,
eu diria que é um papel com características semelhantes
às do título do Tesouro Nacional, mas com risco
privado. Aquele investidor que hoje opera no mercado do Tesouro
Direto, por exemplo, é um potencial investidor do mercado de
debêntures também, futuramente”.
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