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Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema
Carcerário da Câmara dos Deputados pediu hoje (24) ao Ministério Público o
indiciamento de 30 pessoas envolvidas em irregularidades relativas ao
sistema prisional, como maus-tratos, falsificação de documentos,
omissão, negligência, entre outras.
Entre os pedidos de indiciamento está o da juíza
Clarice Maria de Andrade, envolvida no caso da menor, que ficou presa com
homens em uma cela da cadeia de Abaetetuba, Pará. Durante a prisão, a
menina foi violentada por um dos presos. A juíza alterou a data de
recebimento do pedido de transferência da menor para uma outra cadeia.
No relatório, o relator, deputado Domingos Dutra (PT-MA), justifica o
pedido de indiciamento pelo fato de a juíza ter, além de alterado a data, orientado servidores a emitir declaração falsa, inserido declaração
falsa e diversa daquela que deveria ser escrita em relação à
transferência da menor, para livrar-se de responsabilidade funcional e
por ter submetido a menor a graves e humilhantes situações.
Também foram indiciados outros envolvidos no caso de
Abaetetuba como a promotora de justiça, Luziana Barata Dantas, por
omissão; a defensora pública-chefe do Núcleo de Abaetetuba, Rossana
Parente Souza, também por omissão. Ainda foi pedido o indiciamento da
delegada Flávia Verônica Monteiro, que fez a autuação da menor e
determinou que ela ficasse presa numa cela com homens; da delegada de
polícia de Abaetetuba, Daniele Bentes da Silva, por deixar de
responsabilizar subordinado que cometeu infração; e do delagado Iran
Cordovil Viana, que teve conhecimento de que a menor estava presa na
cela com homens e não tomou nenhuma providência para tirar a menina da
cela.
Além destes, também foi pedido ao Ministério Público o
indiciamento de pessoas que trabalham no gabinete da juíza e estavam
envolvidos na falsificação do documentos. A funcionária Lourdes de
Fátima Rodrigues Bragagela, que carimbou com data retroativa documento
que sabia não ter sido enviado na data e por ter prestado falso
testemunho à comissão; e o funcionário Graciliano Chaves da Mota, por
inserir declaração falsa e diversa do que deveria ter escrito. Também foi pedido o indiciamento de Beto da Conceição,
o preso que teria estuprado a menor durante o período em que ela ficou
presa na cela.
Os outros indiciados são:
- Tenente Ancelmo Luiz Portela e Silva – Diretor do presídio
masculino Casa de Custódia Professor Ribamar Leite (PI) pela prática de
tortura.
- Os agentes penitenciários do presídio Professor Ribamar Leite (PI) Marcos China, Airton, José Brás.
- O advogado Jerônimo Ruiz de Andrade Amaral, preso por tentar entra num presídio de São Paulo portando um celular.
- O advogado Sergio Wesley da Cunha, por formação de quadrilha, com
fim de instalar central telefônica para monitorar telefones de
autoridades de São Paulo.
- Librado da Silva Braga – diretor da Colônia Penal Agrícola de Mato Grosso do Sul, por submeter os presos a condições sub-humanas.
- As defensoras públicas, também de Mato Grosso do Sul, Linda Maria
Silva Costa e Edna Regina Batista Nunes da Cunha, por omissão nos casos
de maus tratos na colônia agrícola.
- Wantuir Francisco Brasil Jacini – secretário de Segurança
Pública de Mato Grosso do Sul, por manter a colônia agrícola sem
condições de tratamento mínimo dos presos.
- Lucuiana Moreira Schenk (MS), por expor a vida de outrem a perigo direto ou iminente.
- Antonio André David Medeiros – promotor de justiça, por omissão aos maus tratos cometidos na colônia agrícola (MS).
- Francisco Gerardo de Souza – Juiz da 1ª Vara de execuções penais, por omissão ao caso da colônia agrícola de MS.
- Vitor Luis de Oliveira Guito - Juiz da 2ª Vara de execuções
penais, por manter os presos na colônia agrícola de MS em condições sub
humanas.
- Antonio Bruno de Mello Trindadade– superintendente da sistema
penitenciário do Rio Grande do Sul, por manter presos em condições sub-humanas de encarceramento.
- Éden Moraes – Diretor do Presídio Central de Porto Alegre, pela manutenção de presos em condições sub-humanas.
- Gilmar Borttoloto – promotor de execução penal de Porto Alegre, por omissão.
- Jorge Pedro Galli - Defensor público de Porto Alegre, por omissão.
- Fernando Flores Cabral – Juiz de execução penal de Porto Alegre, por omissão.
- Dentista Mario César Gomes, por corrupção passiva (ele cobrava atendimento, que deveria ser gratuito, de presas do Presídio Feminimo
de Santa Catarina).
- Heliomar Heirich – Diretor da Penitenciária de Florianópolis (SC), por expor a vida de outros a perigo iminente.
- Luciano Patrício de Oliveira – Diretor do Presídio Lemos Brito
na Bahia, por manter presos trabalhando diariamente sem remuneração.
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