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24 de Junho de 2008 - 20h57 - Última modificação em 24 de Junho de 2008 - 21h07


CPI do Sistema Carcerário pede indiciamento de 30 pessoas

Roberta Lopes
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Carcerário da Câmara dos Deputados pediu hoje (24) ao Ministério Público o indiciamento de 30 pessoas envolvidas em irregularidades relativas ao sistema prisional, como maus-tratos, falsificação de documentos, omissão, negligência, entre outras.

Entre os pedidos de indiciamento está o da juíza Clarice Maria de Andrade, envolvida no caso da menor, que ficou presa com homens em uma cela da cadeia de Abaetetuba, Pará. Durante a prisão, a menina foi violentada por um dos presos. A juíza alterou a data de recebimento do pedido de transferência da menor para uma outra cadeia.

No relatório, o relator, deputado Domingos Dutra (PT-MA), justifica o pedido de indiciamento pelo fato de a juíza ter, além de alterado a data, orientado servidores a emitir declaração falsa, inserido declaração falsa e diversa daquela que deveria ser escrita em relação à transferência da menor, para livrar-se de responsabilidade funcional e por ter submetido a menor a graves e humilhantes situações.

Também foram indiciados outros envolvidos no caso de Abaetetuba como a promotora de justiça, Luziana Barata Dantas, por omissão; a defensora pública-chefe do Núcleo de Abaetetuba, Rossana Parente Souza, também por omissão. Ainda foi pedido o indiciamento da delegada Flávia Verônica Monteiro, que fez a autuação da menor e determinou que ela ficasse presa numa cela com homens; da delegada de polícia de Abaetetuba, Daniele Bentes da Silva, por deixar de responsabilizar subordinado que cometeu infração; e do delagado Iran Cordovil Viana, que teve conhecimento de que a menor estava presa na cela com homens e não tomou nenhuma providência para tirar a menina da cela.

Além destes, também foi pedido ao Ministério Público o indiciamento de pessoas que trabalham no gabinete da juíza e estavam envolvidos na falsificação do documentos. A funcionária Lourdes de Fátima Rodrigues Bragagela, que carimbou com data retroativa documento que sabia não ter sido enviado na data e por ter prestado falso testemunho à comissão; e o funcionário Graciliano Chaves da Mota, por inserir declaração falsa e diversa do que deveria ter escrito. Também foi pedido o indiciamento de Beto da Conceição, o preso que teria estuprado a menor durante o período em que ela ficou presa na cela.

Os outros indiciados são:

  • Tenente Ancelmo Luiz Portela e Silva – Diretor do presídio masculino Casa de Custódia Professor Ribamar Leite (PI) pela prática de tortura.
  • Os agentes penitenciários do presídio Professor Ribamar Leite (PI) Marcos China, Airton, José Brás.
  • O advogado Jerônimo Ruiz de Andrade Amaral, preso por tentar entra num presídio de São Paulo portando um celular.
  • O advogado Sergio Wesley da Cunha, por formação de quadrilha, com fim de instalar central telefônica para monitorar telefones de autoridades de São Paulo.
  • Librado da Silva Braga – diretor da Colônia Penal Agrícola de Mato Grosso do Sul, por submeter os presos a condições sub-humanas.
  • As defensoras públicas, também de Mato Grosso do Sul, Linda Maria Silva Costa e Edna Regina Batista Nunes da Cunha, por omissão nos casos de maus tratos na colônia agrícola.
  • Wantuir Francisco Brasil Jacini – secretário de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, por manter a colônia agrícola sem condições de tratamento mínimo dos presos.
  • Lucuiana Moreira Schenk (MS), por expor a vida de outrem a perigo direto ou iminente.
  • Antonio André David Medeiros – promotor de justiça, por omissão aos maus tratos cometidos na colônia agrícola (MS).
  • Francisco Gerardo de Souza – Juiz da 1ª Vara de execuções penais, por omissão ao caso da colônia agrícola de MS.
  • Vitor Luis de Oliveira Guito - Juiz da 2ª Vara de execuções penais, por manter os presos na colônia agrícola de MS em condições sub humanas.
  • Antonio Bruno de Mello Trindadade– superintendente da sistema penitenciário do Rio Grande do Sul, por manter presos em condições sub-humanas de encarceramento.
  • Éden Moraes – Diretor do Presídio Central de Porto Alegre, pela manutenção de presos em condições sub-humanas.
  • Gilmar Borttoloto – promotor de execução penal de Porto Alegre, por omissão.
  • Jorge Pedro Galli - Defensor público de Porto Alegre, por omissão.
  • Fernando Flores Cabral – Juiz de execução penal de Porto Alegre, por omissão.
  • Dentista Mario César Gomes, por corrupção passiva (ele cobrava atendimento, que deveria ser gratuito, de presas do Presídio Feminimo de Santa Catarina).
  • Heliomar Heirich – Diretor da Penitenciária de Florianópolis (SC), por expor a vida de outros a perigo iminente.
  • Luciano Patrício de Oliveira – Diretor do Presídio Lemos Brito na Bahia, por manter presos trabalhando diariamente sem remuneração.




 


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