|
Rio de Janeiro - Sete dos onze
militares suspeitos de envolvimento com a morte de três jovens do Morro da
Providência, e que não tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça
Militar, deverão ser soltos na manhã desta quarta-feira (25). O prazo da prisão
temporária se encerra à meia-noite de hoje (24).
Os outros quatro
envolvidos – inclusive o tenente Vinicius Andrade – que tiveram a prisão
preventiva solicitada pela Justiça Militar, no entanto, vão continuar presos.
Segundo informou a
assessoria de imprensa do Ministério Público Militar à Agência Brasil, como
a prisão preventiva dos outros sete militares não foi decretada, o Exército tem
que soltar os detidos, para não ser acusado de “constrangimento ilegal”.
Hoje pela manhã, a promotora
da Justiça Militar Hevelize Jourdan Covas ouviu os sargentos Bruno Eduardo e
Renato Alves. De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério Público Militar, a
princípio, a Justiça Militar não deve decretar a prisão preventiva dos sete
militares.
Ao
todo, onze militares que estavam de plantão no Morro da Providência, no último dia 14, são
acusados de prenderem três jovens e os entregarem a traficantes do Morro da
Mineira, dominado por uma facção rival. Posteriormente,
os jovens foram torturados e mortos pelos traficantes e seus corpos apareceram no dia seguinte em um lixão na Baixada Fluminense.
Desde então, o
Ministério Público Militar está investigando se os militares cometeram crimes
previstos no Código Militar do Exército. Entre eles, o de desobediência de
ordens superiores e de organização de grupos para a prática de violência.
Ontem, o juiz do 3º
Tribunal do Júri do Rio de Janeiro Sidney Rosa da Silva declarou-se
incompetente para julgar o caso. Em
nota divulgada à imprensa, o juiz defende que o caso deve ser julgado pela
Justiça Federal, já que os soldados são servidores da União. Apesar da decisão,
os autos do inquérito ainda não foram remetidos para um juiz federal, o que só
deverá acontecer nesta quarta-feira.
A
justificativa de Sidney Silva é que os militares estavam em serviço quando
supostamente cometeram o crime, e por isso teriam manchado a imagem e a
credibilidade do Exército, afetando diretamente a União.
O
Exército ocupava o Morro da Providência, desde dezembro passado, para realizar o
Projeto Cimento Social, de reforma de casas da favela. As
obras estão a cargo do Batalhão de Engenharia e a segurança dos canteiros de
obras está sendo feita pelo Batalhão de Infantaria Motorizada.
Como a Agência
Brasil já informou, hoje o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio mandou
suspender as obras do projeto Cimento Social. Ao justificar a decisão, o juiz
Fábio Uchoa, da Coordenadoria de Fiscalização de Propaganda Eleitoral, argumentou
que as obras estão irregulares.
O fiscal responsável por lacrar o canteiro de obras na Rua Barão da Gamboa,
Luiz Fernando Brígida, explicou que o projeto Cimento Social foi considerado
irregular porque o convênio com os Ministérios das Cidades e da Defesa para o
início das obras foi assinado no início de 2008, ano eleitoral, embora as obras
tenham começado em dezembro de 2007.
O representantes da Construtora Edil, responsável pelo empreendimento no Morro
da Providência, Vander de Oliveira Dantas, informou que a empreiteira vai
recorrer ainda hoje da decisão do TRE. Os militares do Exército continuam ocupando o
Morro da Providência. Segundo o tenente-coronel Silvio Cardoso, apesar da
decisão judicial, 60 homens permanecerão patrulhando o local.
|