|
Brasília - A sociedade entre a
Petrobras e a petrolífera venezuelana PDVSA na Refinaria Abreu
e Lima, no Complexo Aeroportuário de Suape, em Pernambuco,
deve ser mais uma vez adiada. A parceria vem sendo negociada desde
2005 e a expectativa dos dois governos era anunciar o negócio
na próxima sexta-feira (27), durante reunião dos
presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez ,
em Caracas.
“O Brasil está
apressado em avançar nesta constituição. Até
o momento, ainda é necessário elaborar os estatutos, o
acordo de acionistas e o contrato de compra venda de petróleo”,
informou nesta quarta-feira (25) o porta-voz da Presidência da
República, Marcelo Baumbach.
Enquanto as negociações
prosseguem, a Petrobras decidiu começar sozinha as obras em
setembro do ano passado. Em dezembro, em encontro bilateral na
capital venezuelana, Lula e Chávez tentaram impulsionar a
joint venture, mas o máximo que conseguiram foi a
definição da participação acionária
da futura parceria com 60% da Petrobras e 40% da petrolífera
venezuelana.
O contrato deveria ser
assinado em março, durante encontro dos presidentes em Recife.
Mas novamente não saiu.
Após visita
conjunta ao canteiro de obras da refinaria, o máximo que os
presidentes conseguiram foi o anúncio de um acordo de
associação entre as duas empresas, com as bases gerais
de uma futura sociedade.
O acordo de acionistas
e o estatuto da empresa conjunta seriam definidos nos dois meses
seguintes para assinatura do contrato agora, na reunião
presidencial de Caracas.
A negociação
ocorre em paralelo às conversações sobre a
participação societária da Petrobras na
exploração e produção de petróleo
pesado no campo de Carabobo 1, na faixa do Rio Orinoco, na Venezuela.
Inicialmente, a empresa
brasileira exigia participação acionária inversa
à prevista para a Refinaria Abreu e Lima – 40% para a
Petrobras e 60% para a PDVSA.
Na reunião de
Recife, porém, a Petrobras informou que estuda uma
participação de, no máximo, 10% em Carabobo.
Enquanto a sociedade
não se concretiza, a Petrobras já anunciou que está
disposta a continuar sozinha no projeto de cerca de US$ 4,05 bilhões,
com previsão de início das operações no
segundo semestre de 2010.
A partir de 2011,
operando em carga plena, a Refinaria Abreu e Lima terá
capacidade de processamento de 200 mil barris de petróleo
pesado por dia – 100 mil do campo de Carabobo 1, e outros 100 mil
de Marlim Sul, na Bacia de Campos.
Cerca de 70% da
produção serão de diesel, derivado de maior
consumo no país hoje.
A produção
se destinará basicamente aos mercados do Norte e Nordeste:
norte de Alagoas, Paraíba, interior de Pernambuco, norte da
Bahia e por navio Ceará, Pará e Maranhão,
podendo chegar ao Centro-Oeste por São Luís, no
Maranhão.
|