As bases para consolidação do ordenamento pesqueiro no Amazonas e os rumos que devem ser seguidos para alcançar uma produção sustentável de pescado na região foram discutidas na semana passada por pescadores de 25 municípios do estado.

Eles apontaram, durante encontro em Manaus, as principais necessidades da categoria: qualificação das lideranças nas áreas de organização sócio-política e comunitária, alfabetização e inclusão digital dos pescadores e participação em cursos de capacitação sobre beneficiamento do pescado, criação de peixes, conservação e manejo pesqueiro.

Durante o seminário Efetivando Políticas Públicas para a Pesca, definiu-se a criação da Comissão de Articulação para Políticas Públicas da Pesca, que será integrada por representantes de colônias de pescadores de diversos municípios amazonenses, como Tefé, Careiro da Várzea, Tabatinga, Santa Izabel do Rio Negro e Parintins.

Segundo o coordenador do projeto Sou Pescador, Jonas Araújo, inicialmente, a comissão funcionará como articuladora de todo o processo nos órgãos governamentais da região. “A idéia é trabalhar diretamente com os pescadores para superar as dificuldades que atingem o trabalho deles no Amazonas."

Parte das atividades do Projeto Sou Pescador, o encontro teve o objetivo de capacitar profissionais do setor pesqueiro no Amazonas. O projeto começou em abril, com oficinas temáticas nas cidades de Manaus, Tabatinga, Itacoatiara, Tefé e Parintins. Jonas Araújo disse que as oficinas foram realizadas em municípios escolhidos estrategicamente, de modo a viabilizar a participação de pescadores de cidades vizinhas, que também têm na pesca uma de suas principais atividades econômicas.

Araújo destacou que o seminário serviu também para identificar os gargalos no setor: “Aqui estamos não só identificando os principais problemas, mas também organizando materiais que sirvam como carta de recomendação para os órgãos públicos competentes sobre o que é possível fazer para melhorar o ordenamento pesqueiro no Amazonas."

A representante da colônia de pescadores de Tabatinga, Marxvânia da Silva, informou que, em sua cidade, que fica a mais de mil quilômetros de Manaus, as principais dificuldades relacionam-se à carência da oferta de gelo para armazenamento do pescado. "Temos que comprar gelo do país vizinho [Colômbia] porque o que se vende em Tabatinga não dá nem para armazenar o peixe que a nossa colônia pesca."