



|
Brasília - Mais de um ano após a venda
da empresa de transporte aéreo de passageiros Varig (atual VRG
Linhas Aéreas) à companhia Gol, a negociação
obteve hoje (25) a aprovação do Conselho Administrativo
de Defesa Econômica (Cade), autarquia vinculada ao Ministério
da Justiça e responsável pela fiscalização,
prevenção e apuração de abusos de poder
econômico, analisando fusões, incorporações
e associações entre empresas.
Segundo a assessoria do Cade, além
da venda à Gol, os conselheiros julgaram uma cláusula
do contrato que estabelecia restrições à
concorrência entre Gol e VarigLog. Pelo acordo, a Gol não
poderia operar no mercado de transporte aéreo de cargas por um
prazo de cinco anos a partir da compra da Varig. A VarigLog, por sua
vez, não entraria no setor de transporte aéreo de
passageiros.
De acordo com a assessoria do Cade,
os conselheiros entenderam que a negociação envolvendo
a Unidade Produtiva da Varig, dedicada exclusivamente ao transporte
de usuários, não poderia criar limitações
à livre concorrência no setor cargueiro. Dessa forma,
embora a VarigLog esteja sujeita a cumprir o acordo firmado pelas
duas empresas, a Gol está livre para, se assim quiser, passar
a disputar o transporte de cargas.
Os conselheiros também
julgaram desnecessário que a Gol devolva parte dos slots
(permissões de pousos e decolagens) que a Varig detém
no Aeroporto de Congonhas, no centro de São Paulo. A
assessoria do Cade confirmou que os conselheiros já haviam se
reunido antes com técnicos da Agência Nacional de
Aviação Civil (Anac) para verificar se, do ponto de
vista da legislação aeronáutica, os slots
pertenceriam ou não à empresa e se a concentração
de 47% das permissões no aeroporto de maior movimento do país
representaria um problema à livre concorrência.
A manutenção dos slots
foi aprovada por quatro votos a um. A única divergência
foi apresentada pelo conselheiro Paulo Furquim, que ponderou que a
empresa devolvesse dez pares de slots a fim de equilibrar a
concorrência entre as diversas companhias aéreas.
Segundo a Anac, atualmente, 498
slots são operados diariamente em Congonhas. Desses,
212 (43%) pertencem à TAM. A Gol detém 136 (27%) do
total, enquanto a Varig fica com 96 (20%). Em seguida vêm a
Pantanal, com 32 (6%) e a OceanAir, com 22 (4%).
A decisão do Cade diz
respeito à regularidade da negociação do ponto
de vista da concorrência, não tendo qualquer influência
na continuidade das investigações das denúncias
da ex-diretora da Anac Denise Abreu.
No início do mês,
Denise acusou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o advogado
Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, de interferência no processo de venda da VarigLog e da
Varig, beneficiando o fundo de investimento norte-americano Matlin
Patterson e os brasileiros Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e
Marcos Haftel. Tanto Teixeira quanto Dilma negaram as acusações.
|
|