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26 de Junho de 2008 - 16h15 - Última modificação em 26 de Junho de 2008 - 20h28


Ipea só divulgará índice de inflação quando for conveniente, diz coordenador

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) anunciou hoje (26) que só divulgará estimativas de inflação quando for conveniente e ainda a cada início de ano. As informações são do coordenador do grupo de Análise e Previsões do Ipea, Miguel Bruno.

"Os números existem, mas não se achou conveniente divulgá-los agora", disse o coordenador em entrevista coletiva. "A gente tem adotado divulgar [as estimativas] uma vez por ano, e podemos divulgá-las não necessariamente na Carta [de Conjuntura], mas em outra publicação, uma nota técnica por exemplo, quando isso se fizer necessário. O Ipea tem uma orientação agora voltada para o desenvolvimetno econômico".

Bruno enfatizou que o fato de deixar de divulgar a projeção trimestralmente não significa que o Ipea não trabalhe com variáveis mais recentes. “Os números existem, mas não é mais conveniente divulgá-los. Não alimentaremos mais projeções de inflação a todo instante.”

Antes, a taxa era divulgada na Carta de Conjuntura. No documento divulgado hoje, o Ipea mantém a variável de inflação projetada, em março, para 2008, entre 4,3% e 5%. “As previsões na visão atual são muito mais insumos de longo prazo”, disse Bruno.

Segundo ele, a mudança indica uma nova estratégia do órgão que quer destacar, a partir de agora, análises estruturais do crescimento econômico. “A questão é como explicitar variáveis estruturais para inferir dinâmicas de longo prazo para o desenvolvimento e não para carteira de ativos”, disse Miguel Bruno, em referência ao mercado financeiro.

“Não que isso não seja importante, mas não se desenvolve um país olhando a renda financeira e, sim, a agricultura, a indústria e o PIB [Produto Interno Bruto] dos setores produtivos, por exemplo”, acrescentou.

O coordenador de Análise e Previsões do Ipea afirmou que a medida não indica falta de transparência. Segundo ele, a orientação para trabalhar numa perspectiva de longo prazo veio da Presidência da República e do Núcleo de Assuntos Estratégicos, coordenado pelo ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger.

O Ipea, que antes era subordinado ao Ministério do Planejamento, responde agora à secretaria de Assuntos Estratégicos.

Atualizada para alterações editoriais.

 


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