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Curitiba - O Brasil aparece como um dos países que exerceu papel central
na Operação Condor, segundo documentos apresentados hoje (26), pelo conselheiro do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, Jair Krischke, durante o encontro Anistia e Democracia
- Direito à Memória e à Verdade, em Curitiba. Promovido pela represen tação do Grupo Tortura
Nunca Mais no Paraná, o evento marca
o Dia Mundial da Luta Contra a Tortura. Para Krischke, o país só terá dimensão exata das ações da repressão quando forem abertos os arquivos da ditadura militar.
A Operação Condor consistiu em uma
articulação das ditaduras militares do Cone Sul, durante os anos 70, para reprimir os movimentos de oposição. “Em 1970, o Brasil já
treinava repressores em técnicas de tortura. É preciso que se diga isso. A
ditadura brasileira foi mais seletiva, mas tem responsabilidades muito grandes
em todo o processo”, denuncia Krischke. No entanto, destacou ele, os militares brasileiros sempre tiveram a cautela de não deixar impressões digitais.
Segundo o conselheiro do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do RS, a história atual precisa ser
contada com a abertura dos arquivos da repressão. “O nosso vizinho, o Uruguai, com
três milhões de habitantes, tem atualmente
dois ex-presidentes na prisão, o último presidente da democracia e o da
ditadura. Além disso, ministros e vários oficiais
estão presos. No Brasil, ninguém é
denunciado”, critica. Para ele, o Brasil só vai viver plenamente a democracia quando souber “quem foi quem e quem
fez o que” na sua história.
Victoria Grabois, vice-presidente do Grupo Tortura
Nunca Mais, do Rio de Janeiro, fez um histórico da luta do grupo em todo o país. Criado no Rio de Janeiro em 1985, o Tortura Nunca Mais se estendeu para os estados de São Paulo, Pernambuco, Bahia, Paraná e Minas Gerais. “Nesse momento, nossa grande luta é pela abertura dos arquivos da
ditadura. Os da Marinha, Exército, Aeronáutica e da Polícia
Federal. Só assim a história do Brasil será conhecida”, afirmou.
Entre todos os países da
América Latina, assinalou ele, o Brasil é o único que ainda resiste a essa abertura. Na avaliação de Victoria, a impunidade é responsável pela continuidade
da violência. “Temos mais de 400 mortos
e desaparecidos cadastrados no Grupo Tortura Nunca Mais. Desse total, 200 são
do Rio de Janeiro, onde ocorreu a maioria das prisões na época de ditadura."
O encontro Anistia e Democracia - Direito à Memória e à
Verdade termina amanhã (27), com a presença da Caravana da Anistia, do
Ministério da Justiça, que realizará uma sessão de julgamento de processos de perseguidos políticos do Paraná.
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