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São Paulo - O ministro
Extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira
Unger, reuniu-se hoje (26) com representantes da União Geral
dos Trabalhadores (UGT), para debater as diretrizes para um projeto
de mudança das relações entre o trabalho e o
capital.
Entre as propostas
colocadas pelo governo estão a de resgatar a parcela da
população economicamente ativa que ainda trabalha
informalmente, a de reverter a queda da participação
dos salários na renda nacional e a revisão do regime
sindical.
Segundo o ministro,
para se chegar à convergência das três propostas é
preciso que as centrais sindicais tenham o reconhecimento legal - o
que já ocorre no país -, que se promova a substituição
do imposto sindical pela participação negocial, que se
reconheça o principio de que no local de trabalho o sindicato
da categoria deve representar todos os trabalhadores, que se
fortaleça o combate às práticas anti-sindicais e
que se organize juridicamente o sistema de negociação
coletiva.
“Esse projeto não
é um amontoado de propostas desconexas. É um projeto
abrangente e consistente e diverge até radicalmente dos dois
discursos a respeito de trabalho que predominam ainda no país.
O discurso da flexibilização, que os trabalhadores
interpretam como eufemismo para descrever a corrosão dos
direitos deles e o discurso de direito adquirido, que resolve o
problema da minoria que está dentro do sistema, mas não
da maioria que está fora”, afirmou Mangabeira Unger.
Ele acredita que o país
está pronto para uma grande mudança nas relações
do trabalho com o capital.
Mangaberia Unger disse
que está dialogando tanto com sindicatos quanto com
empresários, mas que não tem o intuito de delegar
tarefas a cada uma dessas instituições.
“Em uma democracia as
minorias organizadas não pactuam as leis que vão
regê-las, quem decide são as instituições
republicanas orientadas pelo interesse da maioria. Nós
precisamos consultar e engajar os trabalhadores e os empresários,
e é isso que estou tentando fazer”.
O presidente da UGT,
Ricardo Patah, disse que a central sindical apóia as
diretrizes colocadas pelo governo, porque privilegiam a inclusão
de parte da sociedade que ainda pode ser considerada excluída.
Ele disse, no entanto,
que a UGT teme a quebra da unicidade sindical. “Essa é uma
das questões que nós colocamos como dúvida sobre
nossa continuidade ou não nesse debate. Vamos continuar, mas
construindo com unicidade”, defendeu.
Patah destacou que a
UGT está preocupada com a desoneração da folha
de pagamento, e que é favorável à contribuição
das empresas para a Previdência Social proporcional ao lucro.
“Hoje as grandes
empresas, com grandes produções, têm contribuição
totalmente inadequada. Por outro lado, as micro e pequenas empresas
pagam valores totalmente desproporcionais”, disse.
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