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Marcello Casal JR/ABr
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Caracas - O sociólogo Javier Biardeau, da Universidade Central da Venezuela, disse que a entrada do país no Mercosul é um dos temas a serem tratados pelos presidentes Lula e Chávez, durante encontro em Caracas
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Caracas - A definição sobre a composição
societária e a direção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, é uma
“pedra no sapato” nas relações entre Brasil e Venezuela, e a questão
não deverá ser resolvida hoje (27) no encontro entre os presidentes
dos dois países, em Caracas. A avaliação é do sociólogo Universidade
Central de Venezuela Javier Biardeau.
Segundo ele, o governo venezuelano quer fazer um tipo
de convênio com o qual o Brasil não está de acordo no que diz respeito
a quanto cada sócio terá direito e sobre a direção da empresa. Para
Biardeau, a questão ainda não está “madura” suficientemente para que
uma decisão seja anunciada nesta sexta-feira.
“É um convênio que tem, como dizem na Venezuela,
chumbo na asa. É como um pássaro que tem peso em uma de suas asas, que
impede que ele voe à altura e à velocidade que se deseja”, explica.
No ano passado, os presidentes Luiz Inácio Lula da
Silva e Hugo Chávez definiram, em encontro na capital venezuelana, que
a participação acionária da futura parceria seria de 60% da Petrobras e
40% da petrolífera venezuelana PDVSA, mas desde então nenhuma decisão foi anunciada.
Na avaliação do sociólogo, os outros convênios
previstos para serem firmados entre os dois presidentes em Caracas,
como o intercâmbio energético, são mais factíveis de serem
concretizados, mas continuarão em um nível tradicional de relação
comercial entre os países, priorizando a política em detrimento da
economia.
Outro ponto previsto na pauta de discussão entre Lula
e Chávez é o ingresso da Venezuela no Mercosul. Para Biardeau, a
entrada na comunidade não é conveniente para a Venezuela do ponto de
vista industrial, pois as medidas que deverão ser estabelecidas vão
permitir maiores entradas de produtos de países mais industrializados.
“Mas Chávez prefere uma desvantagem econômica no
Mercosul, sendo invadido por importações brasileiras ou argentinas, a
uma desvantagem com Estados Unidos ou Colômbia, que eram as principais
fontes de importação para a Venezuela. Porque com esses países há um
canal de negociação política e há um elemento de negociação mais forte
que é o tema energético-petrolífero”, diz o sociólogo.
Ele explica que no âmbito do Mercosul, a Venezuela
tem mais poder de negociação em relação ao seu petróleo que frente a
outros países como os Estados Unidos e a Colômbia.
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