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Brasília - O presidente da
Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação
da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Assuero Doca
Veronez, afirmou que o ministro Carlos Minc está criando um problema administrativo
e político ao governo com a apreensão de bovinos da
Amazônia. Segundo ele, a medida adotada lembra uma “ópera
bufa” ou “comédia ambiental”.
No início do mês
foram apreendidas 3,1 mil cabeças de gado em uma fazenda
localizada dentro de uma estação ecológica na
Terra do Meio, na região próxima ao município de
São Félix do Xingu (PA). Nesta semana, o ministro do
Meio Ambiente detalhou a operação e disse que o “boi
pirata”, como ele denomina os animais localizados em áreas
irregulares, seriam transformados em "churrasquinho do Fome
Zero".
“Apreender boi não
é apreender madeira. Esses bens apreendidos, com aparência
de ilegalidade, costumam ser alvo de questionamentos na Justiça,
por parte dos proprietários. Como vai fazer no caso do boi?
Precisa de manejo sanitário, pasto, alguém que cuide do
bezerro. Quem vai fazer isso?”, indagou Veronez.
Segundo ele, o Código Florestal Brasileiro, de 1953, é “velho” e “obsoleto”,
e apresenta uma “discrepância enorme com o Brasil real”.
Ele afirmou que, se o código for efetivamente aplicado, 80% da
plantação de café no sul de Minas Gerais, maior
região produtora do país, estaria irregular. Por isso,
pediu cautela nas decisões do Ministério do Meio
Ambiente, como a apreensão do “boi pirata”.
“Eu desaconselharia a
adoção dessa medida com a mesma veemência que o
Minc a defende”, afirmou o representante dos produtores rurais.
O presidente da
comissão também considera tímida a decisão
do governo de destinar cerca de R$ 1 bilhão, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para a
recuperação de áreas degradadas. A medida de
estímulo a essa prática está no Plano Agrícola
e Pecuário 2008/09, que será anunciado no próximo
dia 2, em Curitiba.
“Se o governo quer
mesmo recuperar a região, tem que ter uma política mais
ousada”, disse Veronez. Ele defendeu uma taxa de juros, para esse
tipo de empréstimo, de 3% a 4%, em vez dos 5,5% que
serão ofertados pelo governo. Além disso, ressaltou a
necessidade de subsídios para o frete de adubo e calcário
aos produtores.
Veronez participou hoje (26) do seminário
internacional Agri Benchmark Beef Conference, na sede da CNA.
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