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Brasília - A não-ratificação
da Convenção nº 87 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) pelo Brasil ajuda a produzir “um
sindicalismo artificial” no país. Foi o que afirmou hoje
(26) o procurador-geral do Trabalho, Otávio Brito, ao
participar da cerimônia de lançamento oficial do
Relatório Global A Liberdade de Associação e a
Liberdade Sindical na Prática: Lições
Aprendidas, divulgado pela OIT.
“Temos muitos sindicatos que
realmente representam os trabalhadores e empregadores. Porém,
temos também uma cultura sindical a par, totalmente deturpada,
em que a preocupação não é com os
representantes, mas sim com os benefícios para os dirigentes”,
disse Brito.
Segundo ele, o Ministério Público
do Trabalho já detectou a existência de um número
considerável de sindicatos de fachada no país. “A
gente não pode generalizar, mas o problema é
significativo. Estamos investigando e pretendemos acionar
judicialmente essas entidades.”
Brito apontou a
contribuição sindical compulsória – mais
conhecida como imposto sindical obrigatório – como um dos
principais entraves para que todo o movimento sindical apóie a
ratificação da Convenção nº 87. “A
contribuição representa um aporte muito grande de
recursos no movimento sindical e quem recebe não vai abrir mão
de graça.”
O procurador defende
que a ratificação da convenção seja
discutida de forma ampa pela sociedade, e não apenas pelos
sindicatos. “O caminho é a conscientização
social para, a partir daí, conseguirmos tomar uma decisão
ampla.”
A Convenção
nº 87 da OIT é de 1948, e a proposta para que seja
ratificada pelo Brasil está parada há anos no
Congresso Nacional.
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