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27 de Junho de 2008 - 20h38 - Última modificação em 27 de Junho de 2008 - 20h38


Complexo do Alemão continua abandonado um ano depois de confronto, diz líder comunitário

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - A operação policial que deixou 19 pessoas mortas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, completou um ano hoje (27). Para o líder comunitário Edmundo Santos de Oliveira, da Favela Parque Operário, do Complexo da Penha, vizinho à Vila Cruzeiro, a situação dos moradores em nada melhorou depois da chacina, embora na época tenham recebido muitas promessas de mudanças.

“Até hoje não veio nada. Continua tudo no zero a zero. Muito confronto, muita morte, nada além disso. O estado, a não ser com a polícia, não entra aqui no complexo”, afirmou.

Segundo o líder comunitário, há falta de oportunidades de estudo e trabalho para a juventude, o que facilita que muitos rapazes acabem engrossando as fileiras dos soldados do tráfico de drogas.

“O jovem de hoje é o adulto de amanhã. Os meninos não têm como fazer um curso, porque os pais não têm como pagar. Então eles ficam pelas esquinas”, disse.

Edmundo disse que todas as semanas há confrontos entre polícia e traficantes em sua comunidade e teme que acabe acontecendo uma tragédia a qualquer hora. “Ontem (26) mesmo morreram dois jovens. Todo o dia a gente encontra mães chorando, que preferem ir embora e deixar tudo para trás. É triste você ver um guri nascer, crescer e morrer de maneira tão prematura”, afirmou.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), integrante da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que acompanhou de perto as investigações da morte de 19 supostos criminosos durante uma operação da polícia, disse que é preciso uma grande tragédia a fim de chamar a atenção da sociedade sobre o que ocorre diariamente nas favelas da cidade.

“Se você pegar o número de 1.300 autos de resistência [mortes em confronto], vai dizer que a polícia do Rio de Janeiro está matando sete pessoas a cada dois dias. Então há uma tragédia permanente ocorrendo. E o pior, absolutamente invisível aos olhos da opinião pública e do estado, que não querem enxergar um processo de genocídio que está acontecendo hoje, fundamentalmente contra a juventude.”

A morte de 19 pessoas na operação policial resultou em dois laudos periciais distintos, um feito pela Secretaria de Segurança do Estado, mostrando que as vítimas eram traficantes mortos em combate, e outro, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, apontando possíveis casos de execução pela polícia.



 


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