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Brasília - Em
audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF),
ambientalistas e empresários apresentaram hoje (27) pontos de
vista divergentes sobre a importação de pneus usados. A
ministra Cármem Lúcia convocou a audiência
para reunir dados técnicos e argumentos contrários e
favoráveis, para subsidiar julgamento em que o STF decidirá
se o Brasil pode ou não comprar pneus usados de outros países.
A Argüição de Descumprimento Fundamental (ADF) nº 101 foi apresentada ao STF pela Presidência da República. O
governo é contra a importação de carcaças
de pneus, defendida por empresas nacionais, que utilizam o produto
como matéria-prima mais barata para a fabricação
de pneus remoldados. A
Presidência pede que o tribunal suspenda decisões
judiciais, liminares ou transitadas em julgado, que liberaram a
compra dos pneus para empresas brasileiras e declare a
constitucionalidade da proibição.
No início
da sessão, o advogado-geral da União, José Dias
Toffoli, argumentou que o veto às importações de
pneus protege os preceitos fundamentais dos direitos à saúde
e ao meio ambiente equilibrado.
Já
o presidente da Associação Brasileira da Indústria
de Pneus Remoldados, Francisco Simeão Rodrigues Neto, defendeu
a compra de pneus usados de outros países. Ele argumentou que
grandes empresas estrangeiras, como Michelin e Goodyear, importam
pneus para fabricar remoldados na Europa e nos Estados Unidos. “No
Brasil sempre existiram pneus velhos e até pouco tempo ninguém
se preocupava em que fim dar a eles”, apontou.
Rodrigues Neto, que
é dono da fabricante de pneus remoldados BS Colway, afirmou
que a restrição das importações pode
provocar o fim de 90 mil empregos, com o fechamento de fábricas
por falta de matéria-prima. “O Ibama [Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis]
é insensível aos prejuízos sociais dessa
proibição”, disse ele.
A
ambientalista Zuleika Lopes, que integra o Conselho Nacional do Meio
Ambiente (Conama), argumentou que não há fiscalização
do cumprimento da legislação ambiental na utilização
de pneus para fins industriais.
Zuleika Lopes
acrescentou que o Brasil não tem condições e
infra-estrutura para descarte de pneus já utilizados, por
falta de aterros sanitários controlados. Além disso, os
pneus facilitam a disseminação da dengue (porque
acumulam água limpa e parada, onde os mosquitos costumam se
reproduzir) e obstruem cursos hídricos. “Somente do rio
Tietê foram retirados mais de 120 mil pneus nos últimos
anos”, citou.
O STF não
tem previsão de quando a ADF será
julgada pelo plenário do tribunal. É a segunda vez que a Corte realiza audiência pública. A primeira, em 2007, antecedeu o julgamento da constitucionalidade do artigo 5º da Lei de Biossegurança, que autorizou o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas científicas.
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