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Brasília - A jornalista Helena Bortone, morta ontem vítima de câncer no pulmão, trabalhava há mais de 30 anos nas rádios Nacional e Nacional da Amazônia
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Brasília - O público
infantil da década de 80, profissionais da mídia,
educadores e músicos prestam suas últimas homenagens à
jornalista Helena Bortone, 55 anos, que morreu ontem (26), de falência múltipla dos órgãos, e está sendo velada em Brasília. Ela
sofria de um câncer no pulmão. Heleninha, como era
chamada, marcou a história do rádio e encantava os ouvintes e amigos com sua voz suave.
Nos
anos 80, a Rádio Nacional de
Brasília lançou em sua grade um programa infantil comandado pela jornalista. O Encontro com a Tia Heleninha buscava estimular a
imaginação das crianças. A radialista dizia que
as músicas inseridas em seu programa pertenciam à época
mais rica da música infantil. “Patotinha, Balão
Mágico, Trem da Alegria. Foi uma época riquíssima
em músicas infantis”, contou Heleninha em entrevista à
Rádio Nacional, no último mês de maio.
Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, o
cartunista Maurício de Souza, disse que se aproximou da radialista quando conheceu o trabalho que
ela desenvolvia em prol da crianças e, depois disso, tornou-se
fã e amigo de Heleninha. “Além de ser extremamente
profissional, ela era humilde, encantadoradora, adorável”,
disse emocionado.
A amiga e
companheira de profissão Luiza Inês disse que Heleninha sempre se dedicou para levar
qualidade aos ouvintes. Na vida pessoal, ela pregava meiguice, paz e
humildade.
“Ela
sempre me dizia que tinha feito a opção de vida pela
paz. Na vida profissional, ela sempre teve o zelo de levar coisas boas às pessoas. No tempo que ela tinha um programa infantil, era um
programa pioneiro e não era um programa de ouvir musiquinhas
ou coisa parecida. Do ínicio ao fim, o programa era elaborado
com coerência, tudo tinha uma razão de ser, ela
pesquisava muito antes de fazer o programa, colocava-se como ouvinte
infantil, se algo estivesse cansativo, monótono, ela inovava”,
relembrou.
Admiradora de Heleninha na década de 80, a hoje pedagoga
Edielza Figueiredo lembra com saudades a época em que ouvia
os discos de vinil da jornalista. Ela também elogiu a qualidade e o cuidado na escolha dos assuntos transmitidos às crianças. “Quando ouvia aquelas historinhas, viajava e entrava nas histórias,
muitas palavras que ela mencionava eu gostava de ficar falando depois. Além de prender a minha imaginação,
ela passava assuntos construtivos que me ajudaram bastante na vida escolar. É uma pena que hoje as
crianças não têm acesso a esse tipo de mídia”.
Nos
últimos quatros anos, Heleninha apresentava o programa
Espaço Arte, da Rádio Nacional transmitido às
17h. O compositor Aloísio Brandão
disse, em entrevista à Agência Brasil, que o jornalismo feito por Heleninha é um modelo a ser seguido. “O bom gosto, a alegria e
o conhecimento de Heleninha rompiam as barreiras do preconceito da
rádio AM. Com certeza é um modelo radiofônico a ser
seguido”, elogiou o ouvinte.
O corpo
da jornalista será sepultado hoje (27), no
Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, às 17h.