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Brasília - O governo deve
modificar nos próximos dias a Lei de Crimes Ambientais para,
entre outros objetivos, tentar garantir mais agilidade no pagamento
de multas aplicadas a quem comete irregularidades contra a fauna e a
flora, polui e degrada. Relatórios de fiscalização
do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama) mostram que R$ 3,45 bilhões foram
aplicados em multas em 2006 e 2007.
Desse total, menos de 10% chegou
efetivamente aos cofres públicos, segundo estimativas
do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. “Hoje em dia é
uma vergonha: mais de 90% das multas não são pagas.
Isso desmoraliza os órgãos ambientais”, afirmou, em
entrevista recente.
Procurado pela reportagem, o Ibama
informou, por meio de sua assessoria, que não tem levantamento
completo sobre o percentual de multas efetivamente pagas e reafirmou
as estimativas citadas pelo ministro Minc.
De acordo com os relatórios
de fiscalização do Ibama, os nove estados da Amazônia
Legal concentraram 34% dos autos de infração aplicados
pelo órgão em todo o país, mas acumularam cerca
de 80% dos R$ 3,45 bilhões cobrados no período.
Mato Grosso é o estado
campeão em infrações e em valores, com total de
R$ 1,41 bilhão nos últimos dois anos. A maior parte, R$
1,3 milhão, por infrações contra a flora, como
desmatamento e comércio e transporte irregular de produtos
florestais. Em segundo lugar, está o Pará, com R$ 724
milhões, e em terceurim Rondônia, que acumulou R$ 280
milhões em multas do Ibama em 2006 e 2007.
Levantamento das operações
de fiscalização do Ibama nos últimos dois anos
revelam que o órgão ambiental chegou a aplicar multas
de até R$ 20 milhões em uma única autuação.
Em maio, o
produtor de arroz Paulo César Quartiero foi multado em R$ 30,6
milhões por degradação ao meio ambiente na
fazenda Depósito, localizada dentro da Reserva Indígena
Raposa Serra do Sol.
De acordo com a legislação,
as multas por descumprimento da Lei de Crimes Ambientais podem variar
entre R$50 e R$50 milhões.
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