O recuo de 0,2% na inflação da terceira e quarta semanas do mês passado, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo, revela "uma baixa importante na escalada de alta de preços dos alimentos". A afirmação foi feita pelo coordenador do IPC, Márcio Nakane, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.
"No meio de tantas más notícias no campo da inflação, essa redução é animadora", disse o economista. Segundo ele, a pressão sobre os preços dos alimentos está afetando significativamente os consumidores de baixa renda, que se sentem desconfortáveis, porque essa é a maior de suas despesas".
Nakane acredita que o processo de recuo continue no fechamento de junho, devendo o mês ficar com taxa próxima de 0,95%. O item alimentação, de forma isolada, deve fechar com alta de 2,9% contra os 3,2% registrados no mês anterior.
Para Nakane, no que se refere ao item alimentação, a inflação deverá, contudo, continuar subindo, mas num ritmo menor. Ele compara essa redução a um corredor que desacelera a marcha, o que não significa que o atleta parou de correr.
O IPC da Fipe é medido com base na pesquisa de preços de 90 mil itens de bens e serviços negociados em São Paulo e consumidos por famílias que ganham de um a 20 salários mínimos por mês, explicou o economista.
De acordo com ele, o impacto do custo da educação na inflação é sazonal, pois os preços têm mais influência nesses índices no começo do ano letivo, nos meses de janeiro e fevereiro, e no fim do primeiro semestre, com o reajuste de mensalidades dos cursos. No último levantamento, o impacto do segmento educacional na inflação foi de 0,08%, ou seja, de efeito pouco relevante, afirmou Nakane.