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29 de Junho de 2008 - 11h21 - Última modificação em 29 de Junho de 2008 - 11h21


Instituto nega repasse direto de verbas para sindicatos de trabalhadores de amianto

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Apontado pela Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea) como instrumento usado pelo empresariado da indústria do amianto para cooptar sindicatos, o Instituto Brasileiro de Crisotila (Crisotila Brasil) afirma ter “orgulho” de auxiliar na melhor formação dos trabalhadores do setor por meio do repasse de verbas exclusivamente, segundo o órgão, à Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto (CNTA), em obediência a acordo coletivo celebrado.

“A CNTA tem membros dirigentes de sindicatos, mas jamais algum sindicato recebeu qualquer repasse de verba do Instituto Crisotila. Quando a CNTA recebe, a finalidade é objetiva, para prover treinamento de uso controlado pelos trabalhadores”, disse a presidente do Crisotila Brasil, Marina Júlia de Aquino, em entrevista à Agência Brasil. Na denúncia, a Abrea diz que os recursos pagos pelo Crisotila Brasil à CNTA são gastos com “eventos sobre defesa do uso mineral.

Há salários de dirigentes sindicais do setor pagos por empresas, mas com a liberação do funcionário para dedicação exclusiva ao sindicato, como ocorre em outros segmentos.

O Crisotila Brasil é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e reúne representantes dos empresários do segmento de fibro-cimento, telhas e caixas d'água, dos trabalhadores e de órgãos públicos. A direção do instituto também nega que tenha aplicado R$ 3 milhões em ações em parceria com a CNTA em 2007, como consta na denúncia protocolada pela Abrea na Organização Internacional do Trabalho (OIT).

“R$ 3 milhões de reais é o que recebemos de contribuintes para fazer a gestão do instituto, manter todo o custo operacional. Os valores para treinamento são muito menores”, argumentou Marina Júlia, ao informar que o Crisotila Brasil também tem a missão de incentivar estudos e pesquisas sobre exploração responsável do amianto.

A presidente reconhece que trabalhadores do setor de amianto que atuaram antes da década de 1980 estão doentes, mas garante estar segura de que, no contexto atual, o Crisotila Brasil não incentiva uma prática que compromete a saúde dos trabalhadores.

“Isso está totalmente superado pela forma segura e controlada como o amianto está sendo explorado. Não há evidência científicas de que as pessoas que hoje trabalham tenham qualquer doença em função do contato com o mineral”.

Marina Júlia não sustenta de forma enfática que a denúncia da Abrea seja fruto de interesses econômicos, mas alega ter conhecimento de que a associação de expostos ao amianto “fez vários eventos em parceria” com empresas de fibras sintéticas. “Enquanto estivermos [as empresas de amianto] no mercado, as fibras sintéticas não vão se estabelecer porque têm desempenho inferior e custo muito superior”.

O Crisotila Brasil garante não temer a apuração pela OIT da denúncia de cooptação de sindicatos. “Vamos nos pronunciar com tranqüilidade e demonstrar claramente que os repasses são para a CNTA, não para sindicato algum , e ajudam o trabalhador a exercer melhor seu papel de fiscalização da atividade”, ressaltou a presidente.



 


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