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Brasília - Apontado
pela Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto
(Abrea) como instrumento usado pelo empresariado da indústria
do amianto para cooptar sindicatos, o Instituto Brasileiro de
Crisotila (Crisotila Brasil) afirma ter “orgulho” de auxiliar na
melhor formação dos trabalhadores do setor por meio
do repasse de verbas exclusivamente, segundo o órgão,
à Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto
(CNTA), em obediência a acordo coletivo celebrado.
“A CNTA
tem membros dirigentes de sindicatos, mas jamais algum sindicato
recebeu qualquer repasse de verba do Instituto Crisotila. Quando a
CNTA recebe, a finalidade é objetiva, para prover treinamento
de uso controlado pelos trabalhadores”, disse a presidente do
Crisotila Brasil, Marina Júlia de Aquino, em entrevista à
Agência Brasil. Na denúncia, a Abrea diz que os
recursos pagos pelo Crisotila Brasil à CNTA são gastos
com “eventos sobre defesa do uso mineral.
Há
salários de dirigentes sindicais do setor pagos por empresas,
mas com a liberação do funcionário para
dedicação exclusiva ao sindicato, como ocorre em outros
segmentos.
O
Crisotila Brasil é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e reúne representantes dos empresários do
segmento de fibro-cimento, telhas e caixas d'água, dos
trabalhadores e de órgãos públicos. A direção
do instituto também nega que tenha aplicado R$ 3 milhões
em ações em parceria com a CNTA em 2007, como consta na
denúncia protocolada pela Abrea na Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
“R$ 3
milhões de reais é o que recebemos de contribuintes
para fazer a gestão do instituto, manter todo o custo
operacional. Os valores para treinamento são muito menores”,
argumentou Marina Júlia, ao informar que o Crisotila Brasil
também tem a missão de incentivar estudos e pesquisas
sobre exploração responsável do amianto.
A
presidente reconhece que trabalhadores do setor de amianto que
atuaram antes da década de 1980 estão doentes, mas
garante estar segura de que, no contexto atual, o Crisotila Brasil
não incentiva uma prática que compromete a saúde
dos trabalhadores.
“Isso
está totalmente superado pela forma segura e controlada como o
amianto está sendo explorado. Não há evidência
científicas de que as pessoas que hoje trabalham tenham
qualquer doença em função do contato com o
mineral”.
Marina
Júlia não sustenta de forma enfática que a
denúncia da Abrea seja fruto de interesses econômicos,
mas alega ter conhecimento de que a associação de
expostos ao amianto “fez vários eventos em parceria” com empresas de fibras sintéticas. “Enquanto estivermos [as
empresas de amianto] no mercado, as fibras sintéticas não
vão se estabelecer porque têm desempenho inferior e
custo muito superior”.
O
Crisotila Brasil garante não temer a apuração
pela OIT da denúncia de cooptação de
sindicatos. “Vamos
nos pronunciar com tranqüilidade e demonstrar claramente que os
repasses são para a CNTA, não para sindicato algum , e
ajudam o trabalhador a exercer melhor seu papel de fiscalização
da atividade”, ressaltou a presidente.
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