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Brasília - No ano passado, nove indígenas foram vítimas de violência
sexual no Brasil – quatro deles menores de 18 anos. Foram oito casos de estupro
e um de tentativa. Em três ocorrências, os acusados também
eram indígenas. Os dados fazem parte do relatório A
violência contra os povos indígenas no Brasil,
publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
De
acordo com o levantamento, os números registrados em 2006
foram ainda piores. A instituição chegou a constatar 12
ocorrências de violência sexual contra indígenas.
Casos de aliciamento, estupro e de tentativa levaram a um
total de dez vítimas em todo o país.
Dentre
os casos de mais destaque no ano passado está o de um índio
de 22 anos da etnia Guarani Kaiowá. No mês de setembro, ele foi espancado e violentado por outros cinco jovens –
quatro deles menores de idade – na aldeia Bororo, no Mato Grosso do
Sul.
O estado liderou a lista de localidade com maior número
de casos de violência sexual contra indígenas, no ano passado, com quatro ocorrências, no total. Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul e Roraima
registraram uma vítima cada. Em
2006, o Mato Grosso do Sul também ficou com o primeiro lugar
em número absoluto de casos de violência sexual contra
indígenas.
Em
2008, um dos casos já registrados pelo Cimi ocorreu no
município de Nova Olinda do Norte, no Amazonas. Em março
deste ano, uma adolescente da etnia Munduruku sofreu uma tentativa de
estupro. O acusado pela agressão, segundo a ficha do caso, é
um dos vereadores da cidade, José Reginaldo Pereira da Silva,
conhecido como “o Gordo”.
A
índia relatou que, no dia do crime, aceitou
carona na motocicleta do agressor e explicou que, como Silva era
vereador, confiou nele. Quando viu que ele havia pego a estrada com a
intenção de violentá-la, pulou da moto e torceu
o pé. Uma amiga da adolescente tentou socorrê-la e
também foi agredida pelo acusado.
As
adolescentes denunciaram o caso na Delegacia Especializada em Crimes
Contra a Criança e o Adolescente e na Fundação
Nacional do Índio (Funai).
Foi Instaurado inquérito policial mas não houve prisão
em flagrante ou mesmo prisão preventiva. A ficha do caso
indica que “nenhuma providência foi tomada
quanto à denúncia”, segundo o Cimi.
O
último episódio de violência sexual contra indígenas
registrado em 2008 foi o da adolescente de etnia xavante que a morreu
na última quarta-feira (25) durante uma cirurgia no Hospital
Universitário de Brasília (HUB). O delegado-chefe da 2ª
delegacia de polícia do Distrito Federal, Antônio José
Romeiro, responsável pelas investigações,
confirmou que a índia sofreu perfuração no órgão
genital.
Ele
garante ainda que o crime aconteceu dentro da Casa de Apoio à
Saúde Indígena (Casai) do Distrito Federal, que
pertence à Fundação Nacional de Saúde
(Funasa). A menina tinha lesão neurológica – não
falava e se locomovia por meio de cadeira de rodas – e estava em
Brasília para tratamento médico desde o dia 28 de maio.
De acordo com o delegado, a Casai também será
investigada.
A
assessoria do Cimi informou que o órgão aguarda maiores
esclarecimentos sobre o caso da índia xavante para se
manifestar sobre o assunto.
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