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Brasília - O
promotor de Justiça Ernestino Roosevelt concedeu hoje (27) à
Santa Casa de Misericórdia de Belém (PA) o prazo de 24 horas
para envio de informações que expliquem a morte de 12
recém-nascidos no último fim de semana. Ele diz que já
enviou ofício à diretoria da fundação e
que aguarda, inclusive, os prontuários médicos de cada
um dos casos. Roosevelt não descarta a possibilidade de que novas
mortes possam ocorrer no local.
“Vou
avaliar isso juntamente com médicos. Quero o parecer também
deles e verificar o que aconteceu para que essas mortes tenham
ocorrido nesse pequeno intervalo de sexta-feira (20) a domingo (22).
De posse dessas informações é que eu vou tomar
as providências, ver se existe crime e quem seria o seu autor.
Não posso acreditar que seja uma normalidade.”
Caso o
relatório não seja entregue dentro do prazo, Roosevelt
diz que poderá ser aplicada a sanção prevista
no artigo 236 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA),
já que o fato pode ser caracterizado como
obstrução da atividade do Ministério Público.
“No máximo, na segunda-feira, tem que estar na minha mão.”
O
promotor explica que o prazo estabelecido anteriormente para a
entrega do relatório – até ontem (26) – precisou
ser prorrogado para “não deixar a coisa pior do que já
está”.
Roosevelt
relata que a Santa Casa não possui equipamentos suficientes
para o atendimento e que as poucas máquinas encontradas no
local estão “completamente sucateadas”. “Manutenção
é quase inexistente”, diz o promotor.
Ele afirma ainda que a demanda na
cidade de Belém para o tipo de atendimento prestado pela
fundação é cada vez maior e que a única
saída seria a construção de um hospital
materno-infantil que ofereça pré-natal e também possa estar estruturado para atendimentos de média e alta complexidade.
“É
uma estrutura que, por si só, não tem mais condições
de se manter. Uma reforma ali é simplesmente um paliativo. A verdade é que tem que ter um
espaço físico grande e adequado, com equipamentos
modernos e com médicos capacitados para fazer o atendimento da
população.”
O
promotor avalia que a situação registrada na Santa Casa
de Belém sinaliza um “problema estrutural” na
área da saúde pública, presente não
apenas nos estados nordestinos mas em todo o país. Para que a
situação possa ser revertida, ele acredita que é
preciso que o Poder Executivo tenha “dignidade para ver que a
saúde é um bem supremo”.
“Não
se pode investir milhões em PAC [Programa de Aceleração
do Crescimento] sem saber que a saúde também é
um crescimento. Já pensou, todo mundo doente, qual vai ser a
aceleração que a sociedade vai ter?”, questiona.
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