A cada nova explosão,
a única mina de amianto do país constrói um
pedaço da história de Minaçu. O município
goiano, de 30 mil habitantes, vive da exploração de um
mineral proibido em 48 países, que emprega 1.100 pessoas
entre funcionários e prestadores de serviço da Mineradora Sama, empresa do grupo Eternit.
Até o início
da década de 1980, a poeira de amianto - uma fibra extraída
de uma rocha e utilizada na fabricação de telhas e de
caixas d´água por conta da resistência ao calor e
da durabilidade - acompanhava os funcionários.
“A poeira
ficava por toda parte. Nós, que trabalhávamos na
limpeza, deixávamos a empresa no fim do expediente com as
mesas limpinhas. No outro dia, dava para escrever o nome no pó
branco”, recorda José Onofre, que trabalhou na mineradora
nas décadas de 60 e 70.
A poeira é mortal. Ela se
acumula nos pulmões e causa uma doença chamada asbestose, que reduz gradualmente a capacidade respiratória do
paciente. A inalação de amianto também pode
provocar o câncer de pleura, doença que matou cerca de
2.400 pessoas no Brasil nos últimos dez anos.
“Ao
penetrar no pulmão, ela [a poeira] destrói as células
de defesa e provoca a reação de fibrose. Com o tempo, o
indivíduo desenvolve insuficiência respiratória”,
explica o pneumologista do Hospital Universitário de Brasília
Ricardo do Melo Martins.
Hoje, Minaçu e os funcionários
da mineradora não convivem mais com o pó assassino.
Pesados investimentos em tecnologia foram realizados pela Sama para
manter o amianto confinado no processamento. Filtros na usina também
asseguram a sucção dos resíduos que poderiam
chegar ao meio ambiente. Na hora do ‘desmonte’ - a separação
do mineral da pedra - mangueiras e caminhões-pipa garantem
umidade suficiente para manter o pó de amianto em solo.
“Nas condições de uso do amianto no Brasil para a fabricação de telhas e caixas d´água, não há nenhum risco para quem produz nem para quem consome o produto”, afirma o gerente de Desenvolvimento Tecnológico da Sama, Normando Queiroga.
A direção da empresa estima que poderá continuar explorando amianto em Minaçu por mais 40 anos. A produção anual é de 330 mil toneladas-ano e gera faturamento em torno de R$ 240 milhões. Duzentos funcionários se dividem entre a mina e a usina.