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Brasília - A polêmica
sobre a exploração do amianto no Brasil e os reflexos
negativos na saúde de quem mantém contato com o mineral
ganhou novo capítulo. A Associação
Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea) protocolou
queixa-denúncia na Organização
Internacional do Trabalho (OIT) a respeito de suposta prática
anti-sindical exercida por empresas e indústrias de amianto em
prejuízo dos trabalhadores.
Segundo
relato da Abrea, os empresários utilizam o Instituto
Brasileiro de Crisotila (Crisotila Brasil) - uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) - na cooptação de sindicatos, representados
pela Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto (CNTA), para a defesa do uso do amianto a partir do recebimento de recursos
financeiros. Em 2007, o instituto teria recebido e aplicado,
conforme a denunciante, R$ 3 milhões em ações
de defesa do uso do mineral “comprovadamente cancerígeno”.
“A
entidade que deveria representar trabalhadores se nutre
financeiramente de contribuições repassadas por outra
entidade mantida pela indústria do amianto. Há uma
gravíssima violação à autonomia sindical,
prevista na Convenção nº 98 da OIT. A norma proíbe
qualquer forma direta ou indireta de ingerência dos
empregadores na gestão, na administração e nos
encaminhamentos políticos das entidades que representam os
trabalhadores”, afirmou em entrevista à Agência Brasil
o advogado da Abrea Mauro de Azevedo Menezes.
Menezes
afirma que a CNTA se apresenta como representante dos trabalhadores,
mas “não goza de legitimidade”. A Abrea é uma
associação aberta para trabalhadores de amianto e outras
vítimas de contaminação. “Os trabalhadores
costumam se organizar na medida em que padecem de doenças
seríssimas que o amianto provoca. O amianto é uma
ameça ao meio ambiente como um todo”, criticou.
A prática
anti-sindical denunciada teria surgido em 2005 e desde então,
descreve Menezes, ocorreram atos sindicais contrários aos
trabalhadores : “Há um projeto de lei que tramitava na Câmara e propunha a redução da jornada de
trabalho dos trabalhadores de amianto de 44 para 30 horas semanais. A CNTA se pronunciou em sentido contrário, de que poderia
causar problema de concorrência. Não há nada mais
denunciador do que um sindicato que é contra a redução
da jornada de trabalho dos seus representados”.
A direção
da CNTA admite que dirigentes sindicais têm salários
pagos pelas empresas de origem – como ocorre também em outros segmentos e definido em acordo coletivo. O
vice-presidente da entidade, Adílson Santana, acredita haver
interesses econômicos por trás da denúncia e diz
que a CNTA celebrou acordos favoráveis aos trabalhadores, que
garantiram mais segurança no trabalho com amianto e
benefícios em educação. Ressalta ainda que
nenhum sindicato recebeu individualmente recursos do Crisotila
Brasil e que a Abrea não pode falar pelos trabalhadores, pois
representaria, “no máximo ,ex-funcionários”.
Sobre o a
redução da jornada de trabalho, Santana justificou que
não existe mais risco para os trabalhadores e que a questão
deve ser regulamentada “no universo geral de todas as categorias”.
O
Crisotila Brasil ressalta que os recursos repassados à CNTA
são aplicados exclusivamente em programas de formação
e capacitação de trabalhadores.
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