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Brasília - A presidente do
Instituto Geledés, Eliana Maria Custódio, defendeu hoje
(28) o engajamento dos grandes empresários do país na promoção dos direitos humanos. O Geledés trabalha pela inclusão social da mulher negra e de
excluídos no contexto social e econômico. "Não
adianta só o governo desenvolver projetos de políticas
públicas nessa direção, se não houver
contrapartida das empresas e da sociedade, que devem lutar em
conjunto para combater as desigualdades", disse Eliana Custódio, em entrevista à Agência Brasil.
"Se um empresário deixa de contratar um homem ou uma
mulher por serem negros ou deficientes, aí está
revelado o preconceito, com o alijamento de pessoas que todo mundo
sabe que podem ser capazes de desenvolver uma determinada atividade."
De acordo com Eliana,
há uma escala de salários no país que começa
mais alta para o homem branco, depois para a mulher branca, em
seguida, para o homem negro e, por último, para a mulher negra
e os portadores de necessidades especiais. Segundo ela, isso é
discriminação, quando se constata que uma pessoa de
cada um desses grupos pode desempenhar a mesma atividade com
eficiência, por ter habilidade ou formação
acadêmica para tal.
A presidente do
Instituto Geledés ressaltou que existem no país
organizações que trabalham pela superação
da desigualdade racial, da discriminação de gênero,
e que a maioria delas trabalha dentro dos movimentos feministas.
"Realizam um trabalho de formiguinha, mas que surte resultados,
que a gente confere em muitos lugares das cidades". Uma constatação
disso é a presença de mulheres negras na articulação
de políticas públicas e na participação
em conferências e outros eventos que procuram chamar atenção
do governo para o combate ao racismo e pela promoção da
igualdade. Eliana Custódio considerou o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para
que os empresários se engajem na promoção dos
direitos humanos "uma das iniciativas mais importantes do
governo nos últimos tempos em prol das relações
sociais no Brasil". Lula conversou sobre o assunto durante
encontro com empresários nesta semana, em São Paulo,
"Foi uma atitude
bastante relevante, considerando que 50% da população
brasileira é composta por negros ou descendentes de negros e,
embora existam leis que criminalizam o racismo, ele existe de forma
velada, através de atitudes que configuram a discriminação",
afirmou a presidente do Instituto Geledés. Na
língua dos iorubás, da Nigéria, de onde vieram muitos
escravos para o Brasil, Geledés era o nome que se dava a
sociedades secretas femininas de caráter religioso.
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