A 16ª Parada Gay de Brasília, que está sendo realizada neste momento na Esplanada dos Ministérios, deverá reunir, até o final da manifestação, cerca de 35 mil pessoas, segundo estimativa dos organizadores do evento. A Polícia Militar, que, às 16h45, havia calculado em 6 mil o número de pessoas no Eixão, no início da noite, elevou a estimativa para aproximadamente 22 mil participantes.

Como pediu a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), algumas pessoas participam do evento com roupa de camuflagem para protestar contra a prisão, pelo Exército, do sargento Laci de Araújo. O companheiro de Laci, Fernando Alcântara, disse aos participantes que não esperava todo esse apoio e que agora "vai às últimas consequências para provar a inocência de Laci".

Alcântara disse que sua baixa, concedida nesta semana pelo Exército, trouxe um misto de liberdade e angústia: "Liberdade por poder regressar ao meio civil, saindo daquele sistema opressor, e angústia porque meu companheiro está lá dentro e está passando por um problema sério, neuropsíquico.

Todos os organizadores do evento e voluntários vestiam camisetas de camuflagem imitando as do Exército.

O Movimento LGBT de Brasília reivindica também que o governo do Distrito Federal acelere o processo de criação do Conselho de Cidadania local. Segundo Jandira Queiroz, do Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais, essa é uma promessa feita no ano passado, que ainda não foi cumprida pelo governador José Roberto Arruda.

O movimento pede ainda a aprovação do Projeto de Lei 122, que se encontra na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. Já aprovada pela Câmara dos Deputados, a proposta estabelece penas para práticas homofóbicas.

Participantes da manifestação criticaram integrantes da Assembléia de Deus que, na semana passada, fizeram um movimento no Congresso Nacional pela rejeição do Projeto de Lei 122.

Relatada pela senadora Fátima Cleide (PT-RO), a proposta levou sete anospara ser analisada e votada na Câmara dos Deputados. No Senado, a matéria tramita há mais de um ano. O projeto de lei estabelece umasérie de situações que caracterizariam atitudes homofóbicas como, porexemplo, a demissão de um trabalhador ou trabalhadora por causa de sua opção sexual.

Para o senador Magno Malta (PR-ES), que participou do ato, o projeto cria "um império homossexual no Brasil". Segundo ele, qualquer um que criticar ou rejeitar alguém para emprego ou transação comercial em virtude da opção sexual poderá ser preso.