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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Brasília - O líder indígena Hiparidi Top' tiro diz que não faz parte da cultura xavante matar pessoas com deficiência física
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Brasília - A
hipótese de que o assassinato da índia Jaiya Xavante
tenha sido cometido por uma tia da adolescente, levantada por uma
fonte da Fundação Nacional de Saúde (Funasa),
“não tem nenhum cabimento” e é uma tentativa da
fundação de desviar a atenção das
deficiências no atendimento à saúde indígena.
A avaliação é do líder xavante Hiparidi
Top'tiro, feita hoje (29), em entrevista à Agência
Brasil.
“Não
faz parte da nossa cultura matar pessoas com deficiência
física, estão dizendo que isso é um ritual
nosso. Isso seria impossível na nossa cultura. Essa hipótese
não tem nenhum cabimento na nossa estrutura social. Não
tem nenhum respaldo antropológico”, afirmou Top'tiro.
De acordo
com Top'tiro, a criação das crianças xavante não
é restrita aos pais, mas compartilhada com avós e
membros da tribo. Por esse motivo, o assassinato de um xavante por
alguém da família “causaria uma instabilidade social
na aldeia, uma guerra”.
“Isso é
tentativa de desviar foco sem ter conhecimento da nossa cultura. Se a
Funasa encontrar um antropólogo que confirme isso, ele vai ter
que nos re-ensinar nossa própria cultura”, argumentou.
“A
mídia já está condenando a família. Estão
tentando associar com o caso dos brancos que mataram a filha”,
acrescentou, em referência à morte da menina Isabella Nardoni em São Paulo,
que, segundo investigações da Polícia Civil, foi
planejada pelo pai e pela madrasta.
O líder
indígena informou que organizações xavante
pretendem questionar a Funasa, inclusive judicialmente, pelas
acusações repassadas à imprensa. Integrantes da
Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado
deverão percorrer aldeias xavante nesta semana para articular a
defesa.
Top'tiro
acredita que a investigação da Polícia Civil
deverá apontar a família da adolescente xavante como
responsável pela morte, porque, segundo ele, “é comum
a polícia não ir a fundo em casos como esses, em crimes
que envolvem indígenas”.
Na
avaliação de líder xavante, o crime foi cometido
por algum integrante da segurança da Casa de Apoio à
Saúde Indígena (Casai) ou mesmo por algum servidor da
Funasa, para alegar insegurança do local e apressar o
fechamento da instituição. “Eles querem fechar a casa
há tempos. A Funasa reclama dos custos, questiona a vinda de
parentes para acompanhar os indígenas em tratamento; não
entende nossa cultura”, afirma.
“Se for
preciso, vamos acampar em frente ao Ministério da Saúde
para exigir solução, não só para esse
caso, mas para cobrar respostas sobre a questão da saúde
indígena”, adiantou Top'tiro.
Segundo
ele, os agentes encaminhados pela Funasa para atendimento de grupos
indígenas têm preconceito contra os costumes das
comunidades. “Saúde indígena não é uma
questão que dependa só de técnica, é
preciso ter conhecimento sobre as culturas”, defende.
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