



|
Brasília - Para
garantir superávit primário e recursos para o Fundo
Soberano, o governo tem deixado de lado a execução de
verbas para investimentos no país. A crítica é
do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), apresentada em
nota técnica da entidade, em resposta aos cortes no orçamento
anunciados na última semana pelo ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo.
“Enquanto
o recorde de superávit primário é batido até
agora, é crítica a situação de execução
orçamentária de 2008”, afirma o documento. De acordo
com o Inesc, dados do Sistema Integrado de Administração
Financeira do Governo Federal (Siafi) apontam que até 26
de junho – a poucos dias do encerramento do semestre – a execução
atingiu “somente 33,58%” do orçamento total autorizado.
A
entidade classifica de “irrisória” a execução
de recursos de algumas funções do orçamento,
principalmente, as voltadas para “promoção e garantia
de direitos”, entre elas Direitos e Cidadania, (11% dos recursos
executados), Cultura (10,83%), Saneamento (2,73%), Organização
Agrária (5,9%) e Gestão Ambiental (9,27%), por exemplo.
No
entanto, o texto reconhece que o período de eleições,
em que os gastos ficam subordinados aos prazos previstos pela
legislação eleitoral, e a aprovação
tardia da Lei Orçamentária pelo Congresso Nacional –
em meados de março – podem ter dificultado a execução
dos recursos.
Na
avaliação do Inesc, o corte no orçamento
anunciado nesta semana “reduz a capacidade de investimento do
Estado, comprime a expansão dos gastos sociais e acarreta uma
desaceleração no ritmo de crescimento econômico
do país”.
A nota técnica critica ainda a “lógica do mercado”, que,
segundo o Inesc, orienta a destinação de recursos
orçamentários, ao determinar a elevação
do superávit primário e o aumento do contingenciamento
dos recursos em lugar de maiores investimentos em políticas
públicas, geração de empregos e
infra-estrutura.
|
|