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Brasília - O
semestre de trabalho no Supremo Tribunal Federal (STF) será encerrado em sessão
plenária hoje (1º), às 9h, e os ministros entrarão em
recesso com a certeza de que na retomada dos trabalhos, em agosto,
terão que decidir um tema de ampla repercussão: a
constitucionalidade ou não da demarcação em
área contínua da Terra Indígena Raposa Serra do
Sol, em Roraima.
Também devem ser apreciados no plenário,
no segundo semestre, ações que pedem a revogação
de artigos da Lei de Imprensa, o reconhecimento da união
civil homossexual para fins previdenciários e a declaração
de inconstitucionalidade do sistema de cotas para acesso às
universidades.
O
relator da ação referente à reserva indígena,
ministro Carlos Ayres Britto, confirma que seu voto estará
concluído na volta do recesso e prevê um julgamento
pautado por "critérios rigorosamente objetivos”. Britto
chegou a viajar a Roraima para colher informações, em companhia dos ministros Gilmar Mendes e Carmem Lúcia.
Homologada
pelo governo federal em 2005, a área de 1,7 milhão de
hectares em Roraima abriga cerca de 18 mil índios de pelo
menos cinco etnias, além de oito grandes produtores de arroz e
cerca de 50 famílias de agricultores brancos que se negaram a
deixar a reserva. Ao todo, 33 ações contestam no STF
a demarcação feita com base em laudos antropológicos.
Em
abril deste ano, quando estava prestes a ser desencadeada uma
operação de desintrusão dos não-índios
pela Polícia Federal, os ministros do STF acataram pedido de
liminar do governo de Roraima e determinaram a suspensão da
retirada de qualquer cidadão da terra indígena até
o julgamento de mérito da questão.
Também
em abril houve troca de comando no tribunal. Assumiu a presidência
para um período de dois anos o ministro Gilmar Mendes, em
substituição à ministra Ellen Gracie.
No
primeiro semestre, um julgamento considerado histórico pelos
membros da mais alta Corte do país tratou do uso de
células-tronco embrionárias em pesquisas. Em 29 de
maio, prevaleceu no plenário o entendimento do relator,
ministro Ayres Britto, de que “um embrião congelado, que
jamais será gerado, não pode gozar dos direitos de
proteção da vida e da dignidade da pessoa humana”.
Por 6 votos a 5, o tribunal liberou, sem restrições,
a continuidade das pesquisas. A decisão manteve a esperança
de cura para pacientes com doenças degenerativas ou portadores
de deficiência, que confiam na evolução dos
estudos. Ainda em maio, a Corte afirmou
pela primeira vez que cabe a ela avaliar os requisitos
constitucionais de urgência e relevância para a edição
de medidas provisórias (MPs) quando acionada, o que gerou críticas quanto a uma susposta prática legislativa indevida por parte do tribunal.
Nos últimos
meses, também foram aprovadas sete súmulas vinculantes
sobre assuntos como regulamentação de bingos e
loterias, prescrição de crédito tributário,
remuneração de jovens que prestam serviço
militar obrigatório e acordos para recebimento de recursos do
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Pelas súmulas, os tribunais e a administração
pública em todo o país ficam obrigados a seguir o
entendimento do STF a respeito dos assuntos tratados, o que agiliza as decisões.
Hoje, às 13h30,
o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, concederá
entrevista coletiva na sede do tribunal, após a sessão
de encerramento do semestre.
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