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Brasília - Entidades que representam os trabalhadores do setor canavieiro estão negociando com o governo federal a fixação de um piso salarial para os chamados bóias-frias. A informação é do secretário de Assalariados(as) da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Antônio Lucas.
Em entrevista à Agência Brasil, ele informou que atualmente já existem acordos estaduais que definem pisos para esses trabalhadores. Nas negociações deste ano, por exemplo, foram fixados os valores de R$ 526, em Goiás e R$ 555, em São Paulo. “O que nós estamos pleiteando, em nível nacional, é unificar essas negociações e todas essas conquistas, esses direitos, e fazer cumprir aquilo que é negociado”, disse.
Lucas afirmou que a Contag entregou ao governo, no mês passado, um documento apresentando as reivindicações para os trabalhadores do setor. Embora não haja, no texto, propostas de valores salariais, Lucas disse que a entidade não pretende negociar um valor menor do que a média paga nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, que está em torno de R$ 750 e R$ 800.
“Não teria como a gente negociar nenhum piso hoje abaixo disso, porque apesar de que ele [trabalhador rural] trabalha por produção, isso é para a sobrevivência dele, qualquer coisa que você diminua no ganho, nós estamos criando uma regra que não vai ajudar muito, nós queremos diminuir o impacto com relação à produção, porque hoje eles trabalham muito para ganhar isso, e manter o ganho”, explicou.
Além do salário, também está na pauta de reivindicações a redução da jornada de trabalho que, segundo Antônio Lucas, está em mais de 44 horas semanais. “Nós precisamos no mínimo cumprir a jornada legal que está prevista”, disse. E completou: “não dá para ele ficar só trabalhando, sem ter lazer, sem descansar”.
Segundo Lucas, está marcada para amanhã (1º) uma reunião às 14h no Palácio do Planalto. A expectativa é que o grupo de trabalho que está discutindo as reivindicações do setor seja oficializado. A assessoria do Planalto confirmou que há uma reunião marcada "com representantes do setor canavieiro", mas não confirmou a pauta da reunião.
De acordo com a Contag, têm participado das conversas a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), a Secretaria Geral da Presidência da República, a Casa Civil e os Ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Previdência Social e do Trabalho e Emprego (MTE).
“No momento a gente está conversando com o governo e ele está simplesmente repassando aquilo que é o pensamento nosso para eles [empregadores], para ver o que pode ser alcançado”, disse Lucas. “As propostas já estão na mesa, a Contag já apresentou as propostas, agora é entrar em um processo de negociação”, concluiu.
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