|
San Miguel de Tucumán (Argentina) - O fim da dupla tributação nas importações entre os países do Mercosul é
um dos objetivos do governo brasileiro à frente da presidência
rotativa do bloco. O Brasil assumiu hoje (1) a presidência pro
tempore do Mercosul pelos próximos seis meses.
Em discurso, durante a
Reunião de Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul e
Estados Associados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
assumiu o compromisso de acelerar o calendário para o fim da
bitributação que está prevista desde a criação
do Mercosul e deve começar a valer a partir de 2009.
Uma das etapas
fundamentais para o fim da cobrança é a elaboração
de um código aduaneiro comum, que deveria ter ficado pronto
para essa cúpula, mas não foi concluído.
“Vamos afastar
obstáculos à continuada expansão de nossas
trocas comerciais, e queremos superar entraves tributários a
um maior intercâmbio na área de serviços”,
afirmou Lula. Ontem, o chanceler Celso Amorim havia dito que a demora na consolidação do Mercosul como uma verdadeira união
aduaneira pode prejudicar o bloco nas negociações da Rodada Doha.
O presidente Lula também
prometeu aumentar a participação da sociedade civil nas
decisões do Mercosul. Sem dar detalhes, disse que assinará
um decreto instituindo pelo lado brasileiro o Programa Mercosul
Social e Participativo.
“A participação
crescente do cidadão nas discussões dos rumos do bloco
sinaliza o amadurecimento político de nossas instituições
comuns”, defendeu.
Outras propostas
brasileiras para o período que permanece na presidência
do bloco são o estímulo ao Banco de Preços de
Medicamentos e o fortalecimento do foro de difusão de
conhecimentos em agricultura familiar.
O presidente Lula
defendeu ainda a adoção pelos países do bloco de
um sistema de pagamentos em moedas locais para resguardar a soberania
financeira da região. Ainda nesse segundo semestre esse tipo
de sistema será posto em prática entre a Argentina e o
Brasil.
O presidente sugeriu a
criação de um pólo regional de biocombustíveis,
de forma a garantir a segurança energética e reforçar
a posição da região nas negociações
sobre o aquecimento global.
* Colaborou Yara Aquino, de Brasília
|