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Brasília - O presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, divulgou hoje (1º), em
entrevista coletiva, números que demonstram uma redução
no ritmo de entrada de processos na Corte, a partir da
utilização de novos instrumentos, como a Repercussão
Geral e a Súmula Vinculante. O STF recebeu 53.011 processos no
primeiro semestre, total 10% menor que o registrado no mesmo período
de 2007.
“Não queremos
fazer economia processual simplista, mas poder julgar os temas
constitucionais relevantes”, ressaltou Mendes.
Quando o STF edita uma Súmula Vinculante, nenhum órgão da Justiça,
tribunal ou juiz pode julgar contrariamente ao que foi decidido pela
Corte Suprema. Até o momento dez súmulas já
foram aprovadas sobre assuntos como regulamentação de
bingos e loterias, prescrição de crédito
tributário, remuneração de jovens que prestam
serviço militar obrigatório e acordos para recebimento
de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), entre outros.
Já a Repercussão Geral possibilita ao STF filtrar
recursos que não tenham maiores implicações para
o conjunto da sociedade.
O ministro afirmou a
intenção de dar prioridade ao julgamento de ações
penais originais, inclusive as que envolvem parlamentares e
políticos de maior importância.
Mendes se disse
pessoalmente contrário à norma atual, que determina a
perda de competência do STF sobre a ação quando o
político deixa de exercer o mandato por algum motivo. “O
processo às vezes está no STF e volta para outras
instâncias, o que contribui para um quadro de indefinição”,
argumentou.
Questionado sobre a
possível divulgação de uma lista suja de
candidatos às próximas eleições com vida
pregressa incompatível com a moralidade - independente de
condenações transitadas em julgado -, cogitada por
outros tribunais, Mendes apontou riscos de tal iniciativa: “Tenho
horror a populismo, quanto mais de índole judicial. Esse tipo
de lista é sujeita a graves injustiças”, disse.
No campo político,
o ministro defendeu ainda que o Congresso Nacional faça uma
nova lei orçamentária, “que repense o modelo” das
emendas parlamentares, apontado como responsável por
escândalos recentes de corrupção.
“Esse sistema [de
emendas parlamentares ao orçamento] já deu péssimos
resultados e pode dar outros ainda piores”, concluiu Mendes.
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