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Brasília - O presidente do Conselho Nacional de
Saúde, Francisco Batista Júnior, afirmou hoje (1º),
que é alarmante a situação da Santa Casa de
Misericórdia do Pará, onde morreram 20 recém-nascidos
no prazo de uma semana. Batista disse que ainda não tem
conclusões sobre o que provocou a morte dos bebês.
Em entrevista ao programa Revista
Brasil, da Rádio Nacional, Batista disse que o
atendimento deverá ser repensado agora que a coordenadora da
Câmara Técnica de Políticas Sociais do governo do
estado, Silva Comaru, assumiu provisoriamente a gestão do
hospital. Silva, que está no cargo desde sábado (28),
fiscalizará a equipe multiprofissional da Santa Casa, composta
por cinco médicos e três engenheiros, que vão
avaliar as condições gerais da unidade de saúde.
Segundo Batista, a infecção
hospitalar preocupa o Conselho Nacional de Saúde, pois causa
doenças que acarretam síndromes de contágio, que
o indivíduo pode adquirir durante a hospitalização
ou realização de procedimento ambulatorial. Batista
lembrou que algumas regiões brasileiras têm índices
de infecção hospitalar superiores aos considerados aceitáveis pela
Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para ele, esses dados são
preocupantes, devido à falta de políticas sustentáveis
referentes à saúde hospitalar. “A falta de um
conselho estadual de saúde que fiscalize, acompanhe as
políticas de saúde e discuta a qualidade do serviço
prestado não pode ser desconsiderada, ou tratada como
secundária.”
Batista ressaltou ainda que, se
existisse no país uma estrutura hospitalar adequada para o
atendimento primário, muitas internações não
seriam necessárias. Segundo ele, hoje ocorrem cerca 15 de
milhões de internações hospitalares por ano.
“Isso é um dado alarmante. É uma população
altamente doente”, afirmou. Na opinião de Batista, o atendimento hospitalar precisa ser repensado em todo o país. Para ele, o caso específico do Pará é muito grave, e a situação envolve todos os atores que têm
responsabilidade com o sistema. "É o momento de
fazermos um debate. Já passou o momento na verdade, mas, com certeza,
esse tipo de situação não pode continuar se repetindo pelo país afora.”
O Ministério da Saúde
enviou ontem (30), uma equipe a Belém, para inspecionar a
Santa Casa, e pediu urgência no diagnóstico, mas, por
enquanto, nada foi divulgado.
A assessoria da Santa Casa deve
divulgar hoje nota de esclarecimento sobre as condições
de atendimento na unidade.
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