Marcello Casal JR/ABr
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Brasília - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, divulga os resultados da fiscalização de usinas em Pernambuco - denominada Projeto Engenho Verde
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Brasília - O desmatamento da Mata
Atlântica causado pelas usinas de cana-de-açúcar em
Pernambuco, pode prejudicar as exportações do etanol
brasileiro, alertou hoje (1) o ministro do Meio Ambiente, Carlos
Minc. Segundo ele, o “mau exemplo” dos usineiros pernambucanos,
que desmataram 85 mil hectares do bioma Mata Atlântica no
estado, pode servir de munição para os opositores do
biocombustível brasileiro.
“É natural que
existam interesses econômicos daqueles que querem colocar
barreiras ao etanol brasileiro, que é um ótimo
combustível e ajuda o planeta. Só que este mau exemplo
dos usineiros de Pernambuco pode dar argumentos àqueles que
querem colocar barreiras à importação do
etanol”, afirmou Minc.
O ministro anunciou
aplicação de multa de R$ 120 milhões para os
usineiros do estado responsáveis pelo desmatamento.
De acordo com dados da
Operação Engenho Verde, realizada pelo Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama), as 24 usinas de cana-de-açúcar de Pernambuco
desrespeitaram as leis que exigem documentos comprovando a
regularidade fundiária e a autorização para
queimadas, além de não obedeceram os termos de
compromisso assumidos.
A operação
constatou ainda que devido ao desmatamento, apenas 2,7% do bioma Mata
Atlântica permanecem intactos no estado. No restante do Brasil,
a média é de 8% de preservação.
Segundo Minc, a
aplicação da multa e a obrigação de
recuperar o que foi desmatado é uma chance para que as usinas
continuem funcionando. “Nesse primeiro momento, as usinas terão
que se readequar”, disse o ministro.
Ele lembrou do episódio
das 100 indústrias do pólo gesseiro de Pernambuco, que
depois de autuadas por estarem destruindo a catinga, 60 “entraram
na linha” e as outras 40 foram fechadas por não se adequarem
às leis ambientais.
“Portanto, pedimos
para os nossos usineiros se mirarem no que aconteceu com o setor
gesseiro. Quem quiser se legalizar, vai ter todo apoio técnico,
todo o apoio financeiro e todo o tipo de crédito. Quem não
entrar na linha e colocar em risco a Mata Atlântica e o etanol
brasileiro vai ter a mão dura do Ibama, da Polícia
Federal e da lei de crimes ambientais”, ressaltou o ministro.
Minc informou também
que o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama vão cobrar
o licenciamento ambiental de todas as usinas de cana-de-açúcar
de Pernambuco, e irão atuar para que recuperem os danos
ambientais e adotem práticas de proteção dos
recursos hídricos e os mananciais.