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Brasília - Fazer com que a opinião dos índios seja decisória, para
permitir a exploração de minerais em terras indígenas
e ampliar a participação do Congresso Nacional na
condução e fiscalização desse processo, foram
as propostas defendidas hoje (1º) pelo deputado federal Eduardo
Valverde (PT-RO), ao apresentar, como relator, substitutivo ao projeto que
regulamenta a extração de minérios nessas áreas.
O
parlamentar explica que, no projeto original (PL 1610, de 1996), a consulta
aos indígenas era prevista apenas com o caráter
consultivo. Pelo substitutivo de Valverde, depois de ser aprovada por uma
comissão mista do Congresso Nacional, a proposta de exploração
deverá ser levada para debate com a comunidade indígena
potencialmente afetada.
Os índios
deverão ter conhecimento das implicações dessa
atividade em sua comunidade e as reuniões deverão ser
realizadas na própria terra indígena, com a presença
da Funai e do Ministério Público Federal. “Se os
índios não quiserem, isso tem que ser respeitado,
porque a Constituição Federal estabelece que eles devem
viver de acordo com seus usos e costumes. Eles não são
obrigados a viver do nosso modo”, explicou Valverde.
O
deputado também sugeriu que sejam realizadas licitações
para definir quem poderá fazer a exploração de
minérios nas áreas indígenas. Segundo ele, o
objetivo é escolher a melhor proposta, não só no
aspecto econômico, mas também no aspecto
sócio-ambiental. “Não é uma mineração
em uma área comum, é uma área indígena,
onde o processo minerário pode causar danos ao meio ambiente
ou ao modo de vida tradicional desses povos. Então, esse
processo tem que ser cauteloso”, afirmou.
Apesar
dos avanços do projeto, Valverde admite que ele ainda é
um instrumento insuficiente, por tratar de apenas um aspecto da relação
entre a sociedade brasileira e os povos indígenas. “Esse
projeto atende só uma parte do problema. O Estatuto dos Povos
Indígenas, que tramita no Congresso Nacional, seria o
instrumento mais abrangente”, diz.
Os
parlamentares da Comissão Especial de Exploração
de Recursos em Terras Indígenas têm o prazo de cinco
sessões para apresentar emendas ao substitutivo.
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