



|
Brasília - A
Procuradoria Geral da República (PGR) emitiu novo parecer em
que, mais uma vez, considera plenamente regular o procedimento do
governo federal, que resultou na demarcação da Terra
Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, em área contínua. O
documento será encaminhado para o ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Carlos Ayres Britto, relator de ações que
contestam a demarcação. A previsão é de
que em agosto, após o recesso judiciário, a questão
seja decidida no plenário da Corte.
A reserva
foi homologada em 2005 por decreto presidencial e o reconhecimento da
área de 1,7 milhão de hectares como posse indígena
gerou mais de 30 ações contrárias. Um grupo de
oito grandes produtores de arroz e cerca de 50 famílias de
agricultores brancos se recusam a deixar a área em que mantêm
atividades econômicas. Neste último parecer, a PGR
define como “improcedente” uma ação popular
ajuizada por Alcides da Conceição Lima Filho, pedindo a
impugnação do ato administrativo do governo federal.
“O que
se observa, aqui, é a pretensão de se nulificar o
demorado e penoso procedimento demarcatório tomando-se como
fundamento o risco de abalo à soberania nacional, o qual, como
visto, se presente, haverá de ser eliminado, se for o caso,
por mecanismos outros de proteção, sem sacrifício
do direito dos povos indígenas”, destaca o
vice-procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
A PGR
também recomenda ao STF que permita à Fundação
Nacional do Índio (Funai) e às comunidades indígenas
atuarem no processo como assistentes da União e, em sentido
contrário, os produtores rurais e o estado de Roraima.
Ontem, o
presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, disse o que o julgamento
da demarcação da Raposa Serra do Sol é a
“prioridade máxima” do tribunal. Em recente entrevista
exclusiva à Agência Brasil, o ministro relator, Ayres Britto,
avaliou que o plenário vai decidir a questão sob
“critérios rigorosamente objetivos”.
Em maio
deste ano, Mendes e Britto (e mais a ministra Cármen Lúcia) foram até a reserva para fazer
observações dos aspectos demográficos e
conversar com moradores. Em abril, uma liminar concedida pelos
ministros, em sessão plenária, suspendeu a Operação Upatakon 3 da Polícia
Federal - que visava retirar os não-índios da área
- até o julgamento definitivo das ações
pendentes no tribunal sobre o processo de demarcação.
|
|