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San Miguel de Tucumán (Argentina) - Brasil e Argentina estão dispostos a aparar as arestas de forma a facilitar as negociações da Rodada Doha. O
tema foi tratado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em encontro
bilateral com a presidente argentina, Cristina Kirchner, nessa
terça-feira (1º) em San Miguel de Tucuman. Lula anunciou a intenção de nova
reunião sobre o tema ainda em julho, antes de uma possível reunião
ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que teria como objetivo
fechar a rodada antes das eleições norte-americanas.
“Tem
que acertar detalhes, é importante que esses detalhes sejam pensados
numa conversa com a Argentina porque não estamos pensando apenas no
Brasil, estamos pensando num acordo que contemple os interesses dos
países do Mercosul”, justificou Lula.
O
Mercosul é o responsável da vez pela dificuldade de um acordo. Mais
protecionista que o Brasil em relação à sua renascente indústria, a
Argentina resiste em escancarar as portas para os produtos industriais
dos países desenvolvidos – principal moeda de troca na barganha por
maior espaço para produtos agrícolas dos países em desenvolvimento no
mercado internacional.
Como
a Tarifa Externa Comum é o principal pilar da União Aduaneira a que se
propõe o Mercosul, o Brasil se recusa a oferecer cortes nas tarifas
para produtos industriais maiores que aqueles oferecidos pelos
parceiros do bloco. “É possível flexibilizar na questão industrial e na
questão de serviço desde que isso não seja um impeditivo para você
desmobilizar o crescimento industrial de países que passaram tantos e
tantos anos sem poder crescer”, ponderou Lula em entrevista coletiva.
“Não é justo que num momento em que as economia dos países do Mercosul
começam a crescer você tenha um acordo que proponha truncar ou fechar
esse crescimento”, frisou.
O
tema já havia surgido na sessão plenária da 35ª Cúpula de Chefes de
Estado do Mercosul e dos Estados Associados. Lula defendeu o fim dos
subsídios agrícolas nos países ricos como forma de estimular a produção
de alimentos nas nações mais pobres ou em desenvolvimento e, assim,
superar a crise alimentar mundial.
Já
a presidente argentina, Cristina Kirchner, disse que é preciso botar na
balança quanto a região tem a ganhar e a perder com um acordo na Rodada
Doha. “Não há que se ter clichês ideológicos frente a negociações
econômicas. Simplesmente, contabilizar”, afirmou. “O que temos que
discutir é o que o acordo representa em termos de vantagens, de
trabalho, de melhor qualidade de vida para nossos representados e em
quanto prejudica o trabalho, a indústria e a qualidade de vida de
nossos homens e mulheres. Esses devem ser os parâmetros que devemos
analisar no momento de decidir nossa postura frente a Doha, nada mais
que isto”, argumentou.
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