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Brasília -
O governo federal quer estimular a aviação regional brasileira, que
vem registrando queda de participação no mercado nos últimos anos.
Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, estão sendo estudadas
medidas como a suplementação tarifária, a desoneração de tributos e
ainda a garantia de linhas exclusivas para empresas que quiserem atuar
numa determinada área.
“Entendemos que o tratamento à aviação regional deve ser distinto
do tratamento dado à aviação nacional. A desregulamentação do sistema
feita nos anos 90 resultou em uma redução brutal da aviação regional em
favor da aviação doméstica, e temos que pensar em políticas especiais
para este setor”, disse hoje (2), após reunião com o Conselho Nacional
de Aviação Civil (Conac).
Ele explicou que a suplementação tarifária poderá ser feita com
orçamento da União ou com uma sobretaxa cobrada de passageiros na
aviação nacional. “Se há decisão da necessidade estratégica de uma
determinada cidade do país ligar-se a uma capital, e se não houver
possibilidade econômica de essa linha ter resultados, nós poderíamos
ter uma suplementação tarifária da empresa para manter a prestação
desse serviço”, disse Jobim..
Segundo o ministro, a possibilidade de desoneração de impostos
ainda tem que ser discutida com os governos estaduais, já que o grande
insumo da aviação é o combustível, sobre o qual incide o Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é estadual. Jobim
explicou que esses esses mecanismos de estímulo à aviação regional
podem ser usados isoladamente ou em conjunto, dependendo de cada caso.
Jobim também disse que está sendo estudada a revisão das taxas de
embarque para os vôos da América do Sul.“Para estimular vôos para
locais como Quito, La Paz, Lima e para nos integrarmos à América
Latina, temos que pensar na possibilidade de ter variações tarifárias
conforme o destino”, afirmou.
Segundo o ministro, ainda não há estudos sobre quanto pode ser a
redução da taxa de embarque para países da América do Sul, que hoje
custa US$ 36, mas ele garantiu que elas podem até ser reduzidas a zero.
De acordo com Jobim, 50% dos valores arrecadados com as taxas de
embarque são destinados ao Tesouro, cerca de 40% para a Infraero e o
restante para o fundos do setor aéreo.
Jobim informou que a reunião de hoje com o Conac serviu também para
ratificar as decisões que já haviam sido anunciadas no início do ano sobre a volta da realização de conexões e escalas no aeroporto de
Congonhas e a liberação do aeroporto nos fins de semana para atividades
de fretamento e vôos charter.
Sobre a Política Nacional de Aviação Civil, Jobim disse que
entregou hoje as propostas de mudanças no projeto aos membros do
Conselho, que deverão dar uma resposta em até cinco dias. Depois da
aprovação do Conac, a Política será encaminhada ao Presidente da
República.
O ministro também garantiu que deve entregar ainda este mês ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma proposta de projeto de lei para compensação por atrasos nos aeroportos nacionais. Durante todo o mês, serão realizadas reuniões com representantes da
aviação regional e nacional para examinar a pauta de reivindicações do
setor.
Matéria atualizada e ampliada
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