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2 de Julho de 2008 - 13h32 - Última modificação em 2 de Julho de 2008 - 15h43


Mantega diz que há exagero e alarmismo nas notícias sobre inflação

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje (2) que está havendo “um certo exagero e alarmismo”, no que diz respeito à inflação no Brasil. “Às vezes, vejo o noticiário exagerando”.

Mantega enfatizou que não há falta de produtos no país. Por isso, acrescentou, a população não precisa se preocupar em fazer estoques. Ele rebateu também o uso da imagem do dragão com o símbolo da inflação atual. “O Brasil está cumprindo as metas de inflação, não há razão para pânico.”

Segundo ele, o governo está tomando as providências cabíveis e continuará a tomá-las enquanto for necessário. Mantega afirmou que as medidas foram a elevação dos juros básicos, o estímulo ao investimento por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da Política Industrial, e o aumento da meta de superávit primário em mais 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse aumento do superávit primário corresponde a cerca de R$ 14 bilhões, que não serão gastos.

O ministro também citou as restrições à expansão do crédito ao consumidor, por meio de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e do compulsório sobre leasing. O objetivo do governo com essas medidas, destacou, não é diminuir o volume de crédito, mas fazer com que cresça menos. “É claro que para combater a inflação tem que moderar o crescimento do crédito”. Mantega enfatizou que a demanda no país é estimulada pelo aumento da renda e do crédito.

Ele reafirmou a preocupação do governo com a população de baixa renda, a mais atingida pela inflação, uma vez que gasta 40% da renda com alimentos, o principal item que tem causado alta de preços não somente no Brasil, mas no mundo.

Para Mantega, entretanto, o país está em uma situação favorável, por ser produtor de alimentos e de petróleo, que também tem provocado inflação em todo o mundo.

O ministro argumentou que o Brasil é o país com a menor inflação no Bric, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China. Nos 12 meses fechados em maio, a inflação brasileira ficou em 5,6%, enquanto na Índia chegou a 7,8%, na China. 7,7% e na Rússia, a 15,1%.

“Outros países tiveram triplicada a inflação. No Brasil, a inflação subiu 1,5 ponto percentual, o que não é extraordinário”. Mantega lembrou que, em outros momentos, a política econômica acabou abortando o crescimento do país, mas hoje as medidas estão sendo tomadas na dose certa”, sem matar o paciente”.

Segundo ele, uma das razões para a alta de preços no mundo é a especulação de investidores, que deixam as aplicações em dólares, em ações, em renda fixa e em títulos para atuar no mercado futuro de petróleo e produtos agrícolas.

Outro fator é o aumento da demanda dos países emergentes por petróleo e alimentos. Ele também citou o protecionismo dos países desenvolvidos, a produção de etanol a partir do milho nos Estados Unidos e fatores climáticos.

Mantega afirmou que a taxa básica de juros do país, usada para controlar a inflação, ainda é alta, mas é necessário olhar para as metas. Segundo ele, o Banco Central “evoluiu” ao baixar os juros em anos anteriores.







Matéria atualizada e ampliada
 


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