|
Brasília - Depois de terem sido
notificados pelo Ministério Público e convocados pela
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, representantes brasileiros do site de busca Google assinaram hoje (2) Termo de Ajustamento de
Conduta em que a empresa se compromete a colaborar com as investigações
de crimes de pedofilia na internet.
Pelo acordo, o Google
terá de encaminhar ao Ministério Público e à
Polícia Federal os dados sobre pedofilia de usuários do
site de relacionamento Orkut. Deverá, também, armazenar essas informações por seis meses. O
descumprimento das cláusulas resultarão multa diária
de R$ 25 mil.
O site ainda será
obrigado a cumprir a legislação brasileira sobre crimes
cibernéticos. Até a notificação do
Ministério Público de São Paulo, a Google
alegava que, por ser uma empresa americana, estava sujeita apenas à
legislação dos Estados Unidos.
"A Google se
recusou a estabelecer qualquer comunicação com as
autoridades brasileiras. Inúmeras tentativas foram feitas para
ajustar a conduta da empresa. Foi preciso que a CPI convocasse o
diretor geral a prestar depoimento para que a corporação
finalmente atendesse às formulações elaboradas
pelo Ministério Público”, explicou o procurador da
República Sérgio Suiama.
"Prevaleceu o
bom-senso", disse o relator da CPI da Pedofilia, senador Demóstenes
Torres (DEM-GO). "A pedofilia acontece em 90% dos sites mantidos
pelo Google, especialmente o Orkut. Foi um gol a favor do Brasil",
completou o senador.
De acordo com o
parlamentar, a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta abre
precedente para que o Google também assine documentos
semelhantes em outros países. "Se assinou no Brasil, vai
ter de assinar na Índia, no Japão, na Alemanha e assim
por diante. É um instrumento em favor de se combater um dos
crimes mais nojentos que temos que é a pedofilia", disse.
O representante do
Google no Brasil, Alexandre Hohagen, espera que, a partir de agora, se possa manter um
"entendimento de alto nível" com as autoridades
brasileiras. "Quero reiterar o nosso compromisso com a sociedade
brasileira e com a lei vigente. Evoluímos para um novo patamar
de proteção da infância", analisou.
|