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Brasília - Os preços
praticados pela indústria do fumo para comprar o tabaco dos
produtores não cobre os custos da mão-de-obra
e obriga os agricultores a usar as famílias como força
de trabalho. A denúncia é da procuradora do Trabalho
Margaret Matos, que participou, hoje (2), da audiência pública no Senado que avaliou o trabalho infantil nas plantações
de fumo na Região Sul do país.
“O sistema de integração
faz com que as crianças sejam envolvidas na produção,
porque de outra forma as famílias não conseguiriam
atingir nem a produtividade e nem a qualidade exigida pelas
indústrias”, afirmou a procuradora.
No entanto, o
presidente do Sindicato da Indústria do Fumo (Sindifumo), Iro
Schünke, alegou que os preços foram acertados entre as
indústrias e a associação dos produtores.
Schünke afirmou
também que as empresas “fazem sua parte”, tentando
conscientizar os produtores para que não utilizem trabalho
infantil, mas que as empresas não tem “poder de polícia”.
“Isso [combate ao trabalho infantil] deve envolver orgãos
públicos para dizer o que pode e o que não pode”,
declarou o representante das empresas.
A procuradora do
Trabalho também declarou que as empresas praticam um esquema
de financiamento para os insumos que deixa os agricultores
endividados e coagidos a continuar produzindo o tabaco.
Segundo Margaret, o
trabalho nas plantações de tabaco faz com que a
nicotina intoxique as crianças. “O cognitivo dessas crianças
é totalmente prejudicado. Elas não conseguem ter uma
escolaridade condizente com a idade”, destacou a procuradora.
Margaret disse que o
Ministério Público do Trabalho entrou com uma série
de ações civis públicas “buscando reparar os
danos praticados pelas indústrias e impedir que as condições
permaneçam as mesmas”.
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