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Rio de Janeiro -
A redução
da carga tributária que incide sobre o setor de joalheria
brasileiro poderá dar um novo fôlego às pequenas
indústrias, que são maioria nessa área. A
avaliação foi feita à Agência Brasil
pela presidente da Associação dos Joalheiros e
Relojoeiros do Estado do Rio de Janeiro (Ajorio), Carla Pinheiro.
Para ela, a elevada carga tributária que incide sobre o setor
inibe o crescimento.
“Comparado com todos os outros
produtos com os quais compete, [o setor joalheiro] é
altamente taxado. A tributação ainda é muito
alta. Se comparada com o resto do mundo, [a tributação]
é ainda mais elevada. Então, a gente encontra esses
entraves”, afirmou.
O Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado do setor no estado do
Rio de Janeiro é de 12%, contra 5% em Minas Gerais. Carla
Pinheiro informou que a indústria de joalheria já está
em negociação com o governo fluminense para tentar
viabilizar um programa de desenvolvimento do setor, “até
aproveitando experiências que já são feitas
dentro do próprio país, a exemplo de Minas Gerais, e
fora do mundo”.
Ela citou países como
Tailândia, Índia e China, onde o setor desponta como uma
das principais forças econômicas locais. “Esses
governos entenderam que [o setor de jóias] precisava
ser visto com outros olhos”.
Carla Pinheiro revelou que a
Tailândia praticamente zerou os impostos para o setor, “quando
conseguiu ver seu alto grau de empregabilidade, técnica, com
risco de exclusão social, de baixa renda”.
Ao contrário de outras
indústrias tradicionais, o setor joalheiro não cresce
utilizando maquinário e tecnologia. “Ele cresce apenas com
emprego de mão-de-obra, em sua maioria artesanal”. Além
disso, é uma área rica não só em termos
de design e criatividade, que são atrativos para os
turistas que visitam o Brasil, mas também por usar
matéria-prima, que é o ouro, considerada uma commodity
(produto básico mineral e agrícola comercializado no
mercado internacional) financeira, cotada em Bolsa de Valores.
“Quando essas características
próprias do setor foram compreendidas no resto do mundo, os
impostos foram praticamente zerados, dentro de um programa de
desenvolvimento econômico, de formação acadêmica
e empregabilidade”.
Outras dificuldades enfrentadas são
o impedimento para comprar matéria-prima a prazo e a falta de
financiamento do metal, que para o setor joalheiro é
matéria-prima e para i sistema financeiro e o governo é
commodity financeira.
O mercado formal de jóias do
estado do Rio de Janeiro é formado por cerca de 80 indústrias
e mil pontos de varejo. As micro e pequenas empresas representam 96%
do total. Para cada empresa formal, a estimativa é que existe
outra na informalidade.
O setor gera cerca de 15 mil
empregos diretos e 50 mil indiretos. Carla Pinheiro ressaltou que o
mercado é ainda muito informal, devido à alta carga
tributária. No mercado informal, projeta-se a criação
de pelo menos o dobro dos postos de trabalhos legalizados.
O Rio de Janeiro responde por 18%
das 25 toneladas de ouro trabalhadas no Brasil, na terceira posição
como produtor de jóias nacional, informa a Ajorio. São
Paulo é o primeiro, seguido por Minas Gerais. Quando se trata
de exportações, o Rio ocupa liderança, seguido
por Minas.
Em termos de consumo nacional, São
Paulo detém o primeiro lugar do ranking e o Rio de
Janeiro é o segundo mercado, respondendo por 25% do consumo no
país.
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