Para que o crédito destinado à agricultura familiar chegue efetivamente aos pequenos produtores, é necessário uma desburocratização dos agentes financeiros. A afirmação foi feita hoje (3) pelo presidente da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), José Silva Soares, durante o lançamento do Plano Safra Mais Alimentos, no Museu da República, em Brasília.

"Para desburocratizar, é necessário que os agentes financeiros tenham maior interação com as organizações de produtores, com as empresas de assistência técnica e de extensão rural e, principalmente, que haja decisão política nas agências, para que, definitivamente, coloquem mais funcionários para atender os agricultores", afirmou Soares. Pessoas do setor dizem que muitas vezes os projetos são elaborados e apresentados, mas os bancos demoram muito para liberar os recursos.

O objetivo principal do plano anunciado hoje é dobrar a produção de cada agricultor familiar, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, isso ampliaria a oferta de alimentos no país e poderia conter a alta dos preços no mercado interno.

Para alcançar a meta estipulada de produzir 18 milhões de toneladas de excedente de alimentos, o orçamento do programa para a safra 2008/2009 é de R$ 6 bilhões, cerca de 46% do crédito total destinado pelo governo para a agricultura familiar nesse período, que será de R$ 13 bilhões.

Soares, que também é presidente da Emater de Minas Gerais, disse que, além de agilizar a liberação dos recursos disponíveis, é preciso fortalecer os serviços de assistência técnica e extensão rural, melhorar a infra-estrutura e investir em conhecimento. Para satisfazer o primeiro ponto, o Mais Alimentos prevê ampliação dos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), com aumento do número de funcionários e dos recursos, que passam de R$ 168 milhões, em 2007, para R$ 397 milhões neste ano.

Hoje, esses serviços contam com 20 mil técnicos. Desse total, 16.600 são das empresas estaduais de assistência técnica e extensão rural, com escritórios em 4.596 municípios, e 3.400 de outras empresas e organizações não-governamentais (ONGs). Até 2010, o programa estima que 30 mil técnicos estejam trabalhando no apoio aos agricultores familiares.

“A Emater tem um papel desde a organização dos agricultores, o planejamento das atividades, o acompanhamento e o monitoramento. Eu tenho certeza de que sem a extensão rural e sem a Emater nos estados, este plano não terá sucesso", reforçou Soares.