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Brasília - As
brasileiras estão iniciando a vida sexual mais cedo e tendo
mais acesso a métodos contraceptivos, de acordo com a
Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da
Mulher, divulgada hoje (3). Em dez anos, o percentual de mulheres que
tiveram a primeira relação sexual até os 15 anos
subiu de 11% para 32,6%. O total de jovens entre 15 e 19 anos que se
declararam virgens caiu de 67,2% em 1996 para 44,8% em 2006.
Em 2006,
cerca de 65% das jovens entre 15 e 19 anos sexualmente ativas já
haviam utilizado algum método contraceptivo, percentual que
sobe para 81% para as mulheres que vivem com parceiros fixos; em 1996,
esse percentual era de 77%. Entre 1996 e 2006, o percentual de
mulheres que recorrem ao Sistema Único de Saúde (SUS) para
adquirir contraceptivos saltou de 7,8% para 21,3%.
Financiado
pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto
Brasileiro de Opinião Pública e Estatística
(Ibope) e o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento
(Cebrap), o estudo avaliou cerca de 15 mil mulheres em idade fértil
(15 a 49 anos) e 5 mil crianças com até 5 anos, entre
novembro de 2006 e maio de 2007.
A redução
da idade média da primeira relação sexual também
alterou os padrões etários de fecundidade das
brasileiras: de acordo com a PNDS, a idade média ao ter o
primeiro filho é de 21 anos; em 1996, era 22,4 anos.
“É
o que chamamos de rejuvenescimento do padrão produtivo, as
mulheres estão tendo filhos mais cedo e também encerram
a reprodução mais cedo. As mulheres até 24 anos
já respondem por 53% da fecundidade”, apontou uma das
coordenadoras da pesquisa, Elza Berquó.
O número
médio de filhos por mulher também diminuiu: em 1996, a
média era de 2,5 filhos e caiu para 1,8 em 2006. No entanto, o
estudo revela diferenças regionais relevantes. Enquanto na
região Sul a taxa de fecundidade média é de 1,5
filho por mulher, no Norte, a chega a 2,8.
As
maiores diferenças são observadas quando a comparação
leva em conta as diferenças de escolaridade. “A taxa de
fecundidade para as mulheres com nenhum ano de estudo fica acima de
quatro filhos por mulher”, aponta o documento. Entre as brasileiras com 12 anos ou mais
de estudo, a média é de um filho por mulher.
“Ainda
existem dois brasis: o das mulheres pobres que vão reproduzir
mais cedo e sem perspectivas de planejamento do número de
filhos que querem ter; e o das mais ricas, mais escolarizadas, com
projeto de vida que permite a elas o poder do planejamento familiar”,
apontou Elza Berquó.
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