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Rio de Janeiro - A Justiça Federal conclui amanhã (4) o interrogatório dos 11
militares do Exército envolvidos na morte de três jovens do Morro da
Providência, no dia 14 de junho. Hoje (3), foram convocados para ser
interrogados seis deles: o tenente Vinicius Ghidetti, os sargentos Leandro Maia
Bueno, Bruno Eduardo de Fatima e Renato de Oliveira Alves, e os soldados
Jose Ricardo Rodrigues de Araujo e Julio Almeida Ré. Amanhã (4) serão ouvidos
os soldados Rafael Cunha da Costa Sá, Sidney de Oliveira Barros, Fabiano Eloi
dos Santos, Samuel de Souza Oliveira e Eduardo Pereira de Oliveira.
Os militares chegaram ao prédio da Justiça Federal, no centro do Rio, fardados e sob forte esquema de escolta do Exército.
Interrogado pelo juiz da 7a Vara Federal
Criminal, Marcelo Ferreira Granado, o tenente Ghidetti disse que o objetivo era
somente dar “um susto” nos três rapazes, que teriam desacatado os militares no Morro da
Providência. “Não esperava que fosse ter esse desfecho. Só queria
amedrontar. A vida é um bem precioso. Eu nunca trocaria a vida de três rapazes
pela minha moral.”
Ao falar de sua família, Ghidetti chorou e negou que tenha
entregue os jovens aos traficantes do Morro da Mineira, dizendo que eram “um
presentinho”. Ele afirmou, no entanto, que, ao deixar o morro, viram que os
rapazes estavam apanhando dos traficantes.
Em seguida, o juiz interrogou o sargento Maia, acusado pelo
Ministério Público Federal (MPF) de ter saído do caminhão para negociar com os
criminosos da favela da Mineira na subida do morro. Ele primeiro sustentou que foi ao
encontro dos traficantes para dizer que o veículo havia tomado o caminho errado
e negou que negociou a entrega dos rapazes. Mas ao ser inquirido pelo juiz, acabou
caindo em contradição e reconheceu que pediu para darem um corretivo nos três
jovens.
Os depoimentos se iniciaram no início da tarde e
prosseguiram na parte da noite. O advogado do tenente, Luiz Carlos Azenha,
revelou que deu entrada com um habeas corpus e com uma medida de trancamento de
ação penal por conflito de competência. Ele defende que os militares não
estavam regularmente em serviço no momento da operação, o que remeteria o caso
à Justiça estadual e não federal. O mesmo entendimento de conflito de
competência é defendido pelo advogado Walmar Flávio de Jesus, que representa o
sargento Maia.
Todos os acusados respondem por homicídio triplamente qualificado por
uso de crueldade, motivo banal e sem chances de defesa para as vítimas.
Os militares são acusados de entregar a traficantes
do Morro da Mineira três jovens moradores do Morro da Providência, que
apareceram mortos em um lixão na Baixada Fluminense. Os traficantes que
torturaram e assassinaram os jovens ainda não foram presos.
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