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Brasília - Entre
1996 e 2006, o percentual de cesarianas realizadas no país
passou de 36,4% para 44% do total de partos realizados, tanto no
sistema público quanto no particular. Esse é um dos
dados obtidos pela Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde
da Criança e da Mulher (PNDS), divulgada hoje (3).
Os
números confirmam o aumento do número de partos
cirúrgicos em todo o país e são ainda mais altos
nas Regiões Sudeste (52%) e Sul (51%), entre as mulheres
brancas (49%) e com mais de 35 anos de idade (61%). De acordo com a
pesquisa, que ouviu 15 mil mulheres em idade fértil (15 a 49
anos) entre novembro de 2006 e maio de 2007, entre as mulheres com
mais de 12 anos de estudo e as que utilizam o sistema de saúde
privado ou suplementar os percentuais alcançaram 83% e 81%,
respectivamente.
Junto com
a realização considerada rotineira da episiotomia
(corte na região do períneo, entre a vagina e o ânus,
para ampliar o canal de parto e evitar um rasgamento irregular na
passagem do bebê, durante o parto normal), que chega a ser
feita em 70,3% dos partos normais, a opção constante
pela cesariana é vista, na pesquisa, como uma “prática
claramente prejudicial ou ineficaz, que deve ser eliminada”.
Por outro
lado, 98% dos partos realizados em todo o país nos cinco anos
anteriores à entrevista tiveram assistência hospitalar.
No Sistema Único de Saúde (SUS) foram realizados 76%
dos partos, número que é maior na Região
Nordeste (86%) e menor na Sudeste (70%). O principal diferencial para
a opção pelo sistema público ou privado e
suplementar é o nível de escolaridade. Este último
sistema respondeu por 81% dos partos de mulheres com mais de 12 anos
de estudo, enquanto o SUS realizou pelo menos 86% dos partos de
mulheres com menos de nove anos de educação formal.
Outro
dado considerado positivo é o alto índice de
procedimentos assistidos por profissionais formalmente qualificados.
A maioria dos partos (89%) foi assistida por médicos e 8,3%
por enfermeiras.
No
entanto, a pesquisa destaca que 8,4% das mulheres sem nenhuma
escolaridade e 32% das que não realizaram pré-natal têm
o parto em casa. De acordo com os pesquisadores, os dados “sugerem
a presença de um contingente de mulheres absolutamente
excluído da assistência à maternidade”.
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